Site icon A Viagem dos Argonautas

EDITORIAL: PASSOS COELHO CONTRA OS REFORMADOS

Diário de Bordo - II

 

Ontem, Passos Coelho, que é quem chefia o governo deste país  (toda a gente o sabe, até ele) manifestou mais uma vez que nos acha a todos (pelo menos aos tais 99 %) uma cambada de tolos. Assim vemos o pouco ou nada que vale quem nos chefia. Não só porque mostra que lhe falta capacidade para dirigir seja o que for, como qualquer pessoa que acompanha minimamente a sua acção governativa já percebeu, mas sobretudo o profundo desprezo que tem por nós. Pelo menos por 99 % de nós, muitos dos quais votaram nele.

Diz o senhor que os reformados com pensões mais altas não falam verdade quando dizem que descontaram para receberem as pensões que auferem hoje em dia. Que terão ganho o direito a receber uma reforma, mas não aquelas reformas. Nem se preocupa a avançar com  uns números para tentar comprovar o que diz. Será que está como o Miguel Sousa Tavares que há umas semanas foi para uma senhora reformada com a mesma conversa? E que nem se lembrava dos descontos feitos pelas entidades patronais, e que serviam de pretexto para pagarem salários mais baixos? Será que Passos Coelho também não se lembra disso? Ou esqueceu-se de que o dinheiro vai perdendo poder aquisitivo  ao longo dos anos? Ah, talvez esteja a pensar nas reformas de Cavaco Silva ou de Mira Amaral. Sem ironias, trata-se de mais uma cretinice, que vai afectar muita gente, e não vai resolver nenhum problema do país, pelo contrário.

A distinção que Passos Coelho faz entre o direito a receber uma reforma e o direito a uma reforma com um dado montante tem um motivo óbvio. Tem baseado toda a sua política em convencer-nos que a dívida pública é da responsabilidade dos 99 % (o 1% está isento), porque andamos a gastar muito, e que agora temos de pagar. Perante duas evidências: a primeira, que violou abertamente os compromissos com as classes trabalhadoras e com os reformados e pensionistas, a segunda, que o grosso dos 99 % aufere salários e pensões baixíssimos, procura lançar os que auferem abaixo de um certo montante contra os que auferem acima. Chama-se a isto dividir para reinar.  Passos está esperançado que nos batamos. Por isso nem procurou justificar o injustificável.

Exit mobile version