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POESIA AO AMANHECER – 152 – por Manuel Simões

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FERNÃO RODRIGUES LOBO SOROPITA

( c. 1560 –   ? )

“DO GRANDE MAR DO MEU TORMENTO ANTIGO”

Do grande mar do meu tormento antigo,

como aurora de amor sai a esperança,

vestida já de luz que de si lança

o sol que eu sempre temo e sempre sigo.

Ao seu parecer foge o perigo,

donde quer que a claridade alcança

rompe o véu negro da desconfiança

que juntamente aprovo e contradigo.

Mas o secreto d’alma, ainda toldado

das nuvens negras com que antigamente

a cercou por mil partes meu cuidado,

se a luz de tanta glória ainda não sente,

são efeitos cruéis do mal passado

que  lhe não deixam ver o bem presente.

(de “Cancioneiro Fernandes Tomás”)

O autor é cristão-novo, editor das “Rimas” camonianas, advogado em Lisboa, cuja vida e obra andam confundidas com as de Francisco Rodrigues Lobo,  provavelmente seu parente. Deve tratar-se de uma das mais significativas personagens da transição do maneirismo para o barroco.

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