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Pentacórdio para Segunda-feira 11 de Março

por Rui Oliveira

 

 

   Esta Segunda-feira 11 de Março, na tradição de anteriores, não é fértil em acontecimentos culturalmente muito marcantes, sendo difícil uma escolha de prioridades.

 

   Começando no cinema extra-circuitos, inicia-se nesta Segunda-feira (prolongando-se até Sábado 16 de Março) no Goethe-Institut de Portugal o ciclo “Cinema no Feminino” a propósito do Dia Internacional da Mulher e no âmbito do 50° aniversário do Goethe-Institut.   

   Cada uma das últimas cinco décadas estará representada por um filme de realizadoras alemãs, ainda pouco divulgado em Portugal.

   No dia 16 de Março terá lugar a mesa redonda “Cinema no Feminino – Ponto da Situação” na qual se pretende fazer um breve balanço crítico do actual cinema realizado e produzido por mulheres, no sentido de saber quais os desafios e dificuldades existentes num mundo que, aparentemente, está ainda fortemente dominado pela presença masculina.

   O programa integral pode ser consultado em http://www.goethe.de/mmo/priv/10671760-STANDARD.pdf

 

   O ciclo abre, pois, a 11 de Março, às 19h, no Auditório do Campo dos Mártires da Pátria, nº 37, com a projecção de “Neun Leben hat die Katze” (O Gato tem nove vidas) de Ula Stöckl, 1968 (86 min., leg. em inglês). 

   Considerado o primeiro filme feminino da Alemanha,  “Neun Leben hat die Katze”,  misturando sonho e realidade e atravessado por metáforas do desejo feminino, retrata a história de cinco mulheres que se querem tornar independentes : Katharina (representada por Liane Hielscher), jornalista e amante de Stephan (Jürgen Arndt); a sua amiga Anne (Kristin De Loup), recentemente divorciada e com medo do futuro; Magdalena (Elke Kummer), a mulher traída de Stephan com pensamentos suicidas; Gabriele (Heidi Stroh), que apenas amaria Jesus, se este amasse mulheres e decide ser cantora e Circe (Antje Ellermann), uma mulher criada que faz o que quer…

   A realizadora Ula Stöckl, numa biografia breve, foi aluna de Edgar Reitz e Alexander Kluge, tendo realizado, produzido e escrito argumentos para mais de vinte filmes, exibidos em mais de 70 festivais. Desde 2002 é programm-adviser da comissão de selecção da Biennale de Veneza e é actualmente docente para Realização e para a cadeira “Woman and Film” na University of Central Florida em Orlando.

   Mostramos-lhe (porque só pudémos aceder a tal) uma cena do filme onde se ouve a expressão “Und das ist Faschismus” (…mas isso é fascismo !) relativa à emancipação feminina (falada num misto de alemão e francês) :

 

 

 

 

   No Institut Français de Portugal nesta Segunda-feira 11 de Março há às 19h novo filme do ciclo “Grandes Prémios do Cinema Africano”, exibindo-se “Les mille et une mains” (Marrocos, 1973) de Souhel Benbarka .

   Por lapso na informação recebida do IFP, publicámos já no Pentacórdio para a Segunda-feira 4 de Março o anúncio deste filme pràticamente mudo que relata o trabalho pesado de homens, mulheres e crianças de Marraquexe (Marrocos) na minuciosa tecelagem de tapetes destinados a ser vendidos no exterior.

   O leitor pode aceder a algumas imagens deste filme premiado com o “Étalon de Yennenga” (1973) em  http://aviagemdosargonautas.net/2013/03/03/pentacordio-para-terca-feira-5-de-marco/   

 

 

 

   No mesmo Auditório do Institut Français de Portugal decorre nesta Segunda-feira 11 de Março (concluindo-se na Terça 12) o Colóquio “Movimento e Mobilização Técnica” organizado pelo Prof. Doutor José Bragança de Miranda e o Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (FCSH-UNL).

   Objectivo (segundo os organizadores) : « O movimento constitui um problema crucial na contemporaneidade, marcada pela crescente aceleração induzida pela técnica, mas também pelas tendências do capitalismo na sua fase especulativa, que parece considerar tudo o que subsiste como um obstáculo à realização do valor. Para além de umas vagas defesas do nomadismo, constata-se a dificuldade de se relacionar com ele. De facto o movimento foi sempre menorizado e desvalorizado, quer pela metafísica quer pela teologia, o que significa que se tentou sempre controlá-lo e absorvê-lo simbolicamente. A sua emergência na modernidade − dos transportes ao cinema, da mobilização geral da vida às teletecnologias − representa uma cesura na história.

   Trata-se, pois, de interrogar a sua omnipresença e as formas como determina os quadros em que o agir humano se perfila e destina».

   O Colóquio foi precedido, como noticiámos, pela projecção pela primeira vez em Portugal, no Sábado anterior (9 de Março), do recém estreado filme “Simondon du Désert” de Pascal Chabot e realizado por François Lagarde (ver Pentacórdio desse dia).

   Para mais informações : http://www.cecl.com.pt/  

 

 

 

   Outra conferência/debate de possível interesse é aquela organizada pela Unipop (Universidade Popular) e pela revista Imprópria, que decorrerá na Segunda-feira, 11 de Março, a partir das 19h, na sede do Regueirão dos Anjos, nº 69 (Lisboa).

   Será um debate que intitularam “A Gramática do Neoliberalismo. Conversa com Benjamin Noys” o qual estará presente.

   Apresentando : Benjamin Noys, autor do blogue No Useless Leniency (http://leniency.blogspot.pt ) é professor na University of Chichester, autor de “The Persistence of the Negative: A Critique of Contemporary Continental Theory“ (2010) e editor de “Communization and its Discontents” (2011), entre outras publicações e virá discutir como pensar as actuais condições de reprodução do capitalismo, bem como a forma de estas serem interrompidas. Como eixo central, defende a necessidade de resistir àquilo que ele chama aceleracionismo – a ideia de que as próprias formas e processos do capitalismo geraram espontaneamente a insurreição no seu seio e de que o que é necessário fazer para nos libertarmos do seu jugo é carregar no acelerador do comboio niilista neoliberal. Ao invés disso, precisamos de uma estratégia para reinventar a agência política, que passa, em primeiro lugar, por puxar o travão de emergência.

 

  

 

   Há nesta Segunda-feira 11 de Março, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h, um novo Recital de Piano (como habitualmente de entrada livre) onde o jovem pianista Filipe Manzano Tordo irá interpretar um programa de obras de Franz Schubert e Ludwig van Beethoven cujo pormenor é ainda desconhecido.

   Trata-se dum ex-aluno do Instituto Gregoriano de Lisboa (professores Manuela Strecht Ribeiro e Eurico Rosado9, da Escola de Música do Conservatório Nacional (professores Carla Seixas e Rui Pinheiro) e da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (na classe da prof. Madalena Soveral) que já gravou o seu primeiro disco a solo em Abril de 2009.

 

 

 

   Por último, o São Luiz Teatro Municipal organiza, a propósito da recém-estreada “A Visita da Velha Senhora”  de Friedrich Dürrenmatt, o que chamou “Conversas Tempo. Futuro” que terão lugar no Jardim de Inverno, às 21h de Segunda-feira.

   A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.

   Serão em princípio duas, iniciando-se nesta Segunda 11 de Março abordando os temas da Polis, da Cidadania e da Governação.

   A conversa pública começará com José Gomes André, António Filipe e Daniel Oliveira, cabendo a moderação a Nicolau Santos.

  

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui)

 

 

 

 

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