Site icon A Viagem dos Argonautas

O PETRÓLEO NÃO TEM OS SEUS DIAS CONTADOS – por Ventura Leite

Os dados que tenho em conta neste exercício, e que podem ser revistos com novos dados que entretanto vão surgindo, são:

 1º – O petróleo não tem os seus dias contados, como muitos se apressaram a dizer.

2º-  Os custos de extracção e refinação serão cada vez maiores à medida  que se esgotam as reservas de petróleo doce, isto  é, fácil de extrair  e sem grandes quantidades de enxofre.

3º –  O consumo de  petróleo está a crescer e a procura continuará imparável nas próximas décadas nas economias emergentes.

4º –  Mas além do petrólelo temos reservas ainda maiores de gás natural, mais barato que o petróleo, e que se torna hoje fácil de transportar liquefeito, e  produz menos emissões que os combustíveis derivados do petróleo.

4º-  A produção de combustíveis alternativos para queimar constitui uma hipótese ( etanol derivado da agricultura, ou hidrogénio), mas tem como limitações os custos de produção na agricultura e da separação do hidrogénio da água através da electricidade.  Para já, só electricidade barata pode ser uma saída para uma massificação do hidrogénio como combustível para queimar. Levará tempo.

5º – A produção de electricidade a partir da energia do vento ou solar fotovoltaica tenderá a aumentar, mas tem um problema , o da intermitência: uns quatro ( pelo menos) desenvolvimentos são esperados ou estão em curso para potenciar ainda mais estas alternativas:

a) desenvolvimentos tecnológicos nos custos dos painéis fotovoltaicos, e no aumento da sua eficiência: até há pouco a produção de electricidade de origem fotovoltaica era a forma mais ineficiente de produzir electicidade no planeta. No entanto, nos últimos meses uma empresa norte-americana anunciou a produção de um material inovador ( uma película negra) que permite baixar para metade o preço dos painéis e duplicar a sua eficiência: chamam-lhe o black solar. A ver vamos se isso vai ser a realidade anunciada.

b)  Novas formas de armazenagem de electicidade, o que resolveria um dos porblemas do eólico. Há quem aposte na bombagem da água saída das barragens de volta às albufeiras, mas acho isso um exercício mirabolante e que não pode ser aplicado com eficiência em qualquer lado. Uma vez sugeri a um investigador do Técnico a utilização alternativa de torres ou de enconstas de serras para fazer subir grandes pesos ( utilização de energia excedentária), e para os fazer descer quando fosse necessário produzir electricidade. Há um alemão a estudar uma solução deste tipo.

c) Aumento do preço do petróleo. Há dois anos dizia-me um espanhol, defensor das renováveis, que naquela altura um preço do barril nos 150 US$ era o necessário e suficiente para colocar as renováveis definititivamente no plano competitivo. Entretanto, a evolução tecnológica terá melhorado o panorama, mas também novas descobertas de jazidas de gás natural podem manter as renováveis na baía.

d) O desenvolvimento do solar térmico, onde o sol aquece um material ( um sal) que depois se conserva de forma a que possa aquecer água mesmo depois ao longo da noite, pode vir a revelar-ser uma ajuda ao problema da intermitência do sol, e dar mais desenvolvimento à electricidade de origem solar, só que neste caso não fotovoltaica, mas térmica no sentido tardicional. Um projecto alemão em desenvolvimento no Saara  vai nesta linha.

 Entretanto, há quem aposte na gaseificação do carvão ( processo que não é novo), de forma a que  o carvão  seja usado logo  à saída das minas, poupando no transporte e sem originar, ou permitindo controlar melhor, os problemas actuais com as emissões para atmosfera. A China está nesse processo porque tem reservas de carvão para séculos, e pouco petróleo.

 Há ainda outros desenvolvimentos em matéria de produção de electricidade de origem alternativa, ou de combustíveis, que não vou considerar aqui, apenas por questão de economia de tempo.

 Por exemplo a fusão nuclear, que  pelo pouco que sei ainda estamos no campo das  hipóteses a 30 ou 40 anos.

 Mais interessante, e para mim verdadeiramente mais animador, é a energia geotérmica.

Se são verdadeiras as informações  que me chegaram em 2011 e 2012, as tecnologias de perfuração  necessárias – e adequadas em termos de segurança – continuam a aperfeiçoar-se continuamente, e ganha terreno a expectativa de que  dentro de alguns anos será económico perfurar a crosta até uma profundidade na casa dos 10 -12 Km ( se não me engano) e obter calor suficiente para fazer mover turbinas e produzir electricidade por dezenas de milhares de anos.

Hoje um furo de pesquisa de petróleo anda pelos 100 milhões de dólares nos EUA. Se num futuro mais ou menos próximo um furo para garantir energia térmica suficiente para obter vapor para accionar uma central eléctrica e mais o custo desta ,  e se  a valores actualizados for da ordem de grandeza  do de uma central convencional, então o mundo terá encontrado uma solução verdadeiramente renovável e sustentável para  o problema da electicidade.

 Biomassa?

Sim! Para comunidades locais, a produção de electricidade a partir da biomassa é uma fonte de emprego, pois é um recurso renovável que em diversas zonas do país pemite envolver comunidades locais na sua sua recolha, transporte, permitindo manter limpas as florestas. Mas neste caso a produção de electiricdade é um complemento da economia social e não da produção mais eficaz de electricidade. Mas a economia do futuro também tem que ter este tipo de componentes.

 Em suma. A dinâmica energética aparece-me como um processo que deve ser visto   de forma integrada e sem paixões fundamentalistas, porque não há só um caminho nem uma só solução. Para mim, a melhor solução é aquela que permite conciliar os interesses imediatos com os esforços com vista a garantir ( através da investigação) soluções futuras sustentáveis em termos económicos, sociais e planetários. E hoje não tenho dúvidas de que alcançaremos este tipo de solução. Mas, entretanto, surgirão ou agravar-se-ão outros problemas……

 Quer isto dizer que não concordo que se continue a apostar internamente em produzir mais electricidade de origem eólica, porquanto isto tem um sobrecusto para a economia, representando uma ineficiência inaceitável para uma economia como a nossa. A produção real de electricidade é baixa face à capacidade , além de ser intermitente, e quando o País não precisa de mais electricidade, sobretudo à noite. A Alemanha, que não produz ainda metade da electriciade de origem eólica que nós produzimos ( em relação à totalidade entenda-se), já tem problemas de excessos nocturnos e já concluíu que tem que rever a sua política neste aspecto. Mas ainda se compreende a Alemanha por causa do encerramento das suas centrais nucleraes…. ou até de Espanha!

 Podíamos vendê-la a Espanha, desde que a não tenhamos todos que a subsidiar!

 Nuclear? Para já, não! Obrigado.

Exit mobile version