Site icon A Viagem dos Argonautas

POESIA AO AMANHECER – 244 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOSÉ TERRA

( 1928 )

XXIX

De resto, o que importa é não trair

a luz que nós buscamos e cintila

em nosso ouvido num rumor longínquo,

longe das fontes de angústia em que bebemos.

Não é a palavra amor que nos importa,

é o sorriso inacessível dentro

da carapaça do ser que se defende,

o rio oculto sob o tempo e o espaço.

É esse rumor subterrâneo e lúcido,

o núcleo que arde para além

de tudo o que detectam nossos dedos.

É esse rosto desfigurado e súbito

que irrompe, que sobre nós explode,

é esse fogo onde se elide a morte.

(de “Espelho do Invisível”)

Pseudónimo de José Fernandes da Silva. Co-fundador e co-director de “Árvore” e “Cassiopeia”. Obra poética: “Canto da ave prisioneira” (1949), “Para o poema da Criação” (1953), “Canto Submerso” (1956), “Espelho do Invisível” (1959). Foi professor em França, país onde organizou a antologia “La Littérature Portugaise Contemporaine” (Pleiade, 1968), a partir de “Folhas Caídas” de Garrett.

Exit mobile version