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ABNEGAÇÃO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

13 de Agosto de 1865: lá vai Ana Néri assistir os feridos de guerra. Não só os da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), mas também soldados paraguaios, todos os que precisam de amparo e de uma palavra de esperança. Em Corrientes, em Salto, Humaitá, Curupaiti e, finalmente, em Assunción, a capital paraguaia já ocupada pelo exército do Brasil.

Ali, com os seus próprios recursos financeiros, Ana monta e dirige uma enfermaria exemplar. Até ao final da guerra…

Ali. sabe da morte em combate do seu filho Justiniano e também a de um sobrinho; não fica revoltada nem deprimida, abençoa-os, reverencia-os por terem defendido a pátria, dever cumprido.

Ali. sofre a ciumeira do médico-chefe que não suporta os seus conhecimentos de plantas medicinais a mitigarem os sofrimentos dos feridos.

Ali, sem instrumentos adequados, e para espanto de muitos médicos, opera com sucesso a perna do garoto Tayti, esmagada durante uma das batalhas.

Ali, diariamente enfrenta a morte para salvar vidas. Ana não se importa se o ferido é amigo ou inimigo, todos são homens e merecem cuidados.

Dali, invade um hospital de campanha para libertar dois jovens oficiais paraguaios que estavam a ser torturados por soldados brasileiros. Avisam-na que, por causa dessa sua atitude, pode ser submetida à Corte Marcial e fuzilada. Responde:

– Se isto é crime de lesa-pátria e, para limpar a honra, eu tenha de ser morta, tudo bem. Morro tranquila.

O inconformismo de Ana Néri também a leva, num inquérito militar, a denunciar o chefe de uma equipe médica que se recusa a operar um soldado ferido, sabe-se lá porquê…

– Mãe dos brasileiros! (é o nome que lhe dão os soldados em campanha).

Cuidar do corpo e da alma do próximo, abnegação, militância – essa é a enfermagem praticada por Ana Néri!

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