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BAUDELAIRE FICOU LONGE – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

O realismo baudelaireano?  Sim, alguma coisa Cesário Verde tomou de Baudelaire. Mas enquanto o francês da realidade fez um trampolim para alcançar os paraísos artificiais, o português vai bolinando por entre todas as coordenadas do real. A sua vida de comerciante e agricultor será a sua poesia. Ao recordar a sua irmã Maria Júlia, observa:   

         

(…)
À procura da
libra e do shiling
Eu andava abstrato e sem que visse
Que o teu alvor romântico de miss
Te obrigava a morrer antes de mim.
(…)  

Até quando passeia no campo, com uma prima, não se esquece de apontar:

 

(…)
Numa colina azul brilha um lugar caiado.
Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu continuas na azinhaga; ao lado
Verdeja, vicejante, a nossa vinha.
(…)

 

Ao escrever a Silva Pinto, então a morar no Porto, Cesário define; ou melhor, define-se: “A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” Baudelaire ficou longe.

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