BAUDELAIRE FICOU LONGE – por Fernando Correia da Silva
carlosloures
Um Café na Internet
O realismo baudelaireano? Sim, alguma coisa Cesário Verde tomou de Baudelaire. Mas enquanto o francês da realidade fez um trampolim para alcançar os paraísos artificiais, o português vai bolinando por entre todas as coordenadas do real. A sua vida de comerciante e agricultor será a sua poesia. Ao recordar a sua irmã Maria Júlia, observa:
(…) À procura dalibra e do shiling Eu andava abstrato e sem que visse Que o teu alvor romântico de miss Te obrigava a morrer antes de mim. (…)
Até quando passeia no campo, com uma prima, não se esquece de apontar:
(…)
Numa colina azul brilha um lugar caiado.
Belo! E arrimada ao cabo da sombrinha,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu continuas na azinhaga; ao lado
Verdeja, vicejante, a nossa vinha.
(…)
Ao escrever a Silva Pinto, então a morar no Porto, Cesário define; ou melhor, define-se: “A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” Baudelaire ficou longe.