(Continuação)
Postumamente foram publicadas as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930), As Marcas do Destino (1931, contos),
Entre as principais influências, há a destacar: Proximidade de Mário de Sá-Carneiro: Apesar de não se ter deixado influenciar pela estética modernista proposta por Fernando Pessoa e pelo restante grupo do «Orpheu», o ideário e a temática da obra de Florbela Espanca contém uma curiosa proximidade com a escrita de Mário de Sá-Carneiro, um desses membros do inovador grupo do «Orpheu». Em primeiro lugar, há uma proximidade ao nível dos dramas pessoais (que Sá-Carneiro revela em «Esfinge» e «Esfinge Gorda»), onde se evidencia a moderna problemática da dispersão, do desdobramento da personalidade, que Florbela partilha em alguns poemas. Além disso, Florbela insere na sua obra a complexa temática da alteridade, bem como a da relação entre o eu poético e os outros, aproximando-se muito do universo temático de Sá-Carneiro, o que se acentua com as referências à crise de identidade do sujeito e à estratégia de fingimento do poeta (enunciada por Fernando Pessoa). Tanto um como o outro, procuravam uma identidade profunda.Por outro lado, os dois autores têm em comum uma poética de excessos, de estados de espírito extremos, que oscila constantemente entre o desejo de amor e de morte (que encaram de modo semelhante), momentos de loucura e lucidez, luxo e sombras, plenitude e incompletude. Ambos vagueiam, em versos, por claustros, sombras e cenários decadentistas, oscilando entre a realidade e um mundo indefinido. Como Sá-Carneiro, Florbela quis aliar a vida e a arte, a realidade e o sonho, mostrando-se o resultado desastroso para ambos. Aliás, há que sublinhar que ambos morreram jovens e pelo mesmo motivo: suicídio.Influência de Antero de Quental: Em relação à linguagem de Antero de Quental, a poesia de Florbela evidencia semelhanças estilísticas, estruturais e ideológicas.Uma delas é a referência frequente ao tema da dor, uma dor existencial, que leva à constante ânsia pela morte e pelo não-ser; trata-se de uma dor existencial próxima daquela que Antero e Camilo Pessanha repetidamente abordaram na sua obra. Por outro lado, o uso da forma clássica do soneto é outro factor de aproximação entre Florbela e Antero, se bem que a aproxime igualmente de outros sonetistas, nomeadamente Camões e Bocage.Herdada de Antero é, também, a expressão de uma visão eminentemente pessimista do mundo, bem como de uma relação difícil com a vida.
Em termos estilísticos, e à semelhança do que fez Antero, Florbela tende a imprimir um sentido alegorizante aos seus poemas, através de imagens de castelos, palácios, cavaleiros, torres de névoa e de marfim, algumas das quais presentes em «Castelã». Aliás, é nítida a proximidade entre o verso de Florbela Sonho que sou a poetisa eleita (Florbela Espanca, «Vaidade», in «Livro de Mágoas») e o de Antero Sonho que sou um cavaleiro andante. Marcas anterianas apresentam, igualmente, os sonetos «Em Busca do Amor», que lembra o «Mors Amor» de Antero (cujo tom alegre é um pouco mais vigoroso), «Não Ser», «A Voz da Tília» e «Deixai Entrar a Morte».
