DOIS NOVÍSSIMOS POETAS BRASILEIROS – por Simonetta Masin
carlosloures
Simonetta Masin, Professora da Universidade de Pádua (doutorada em Literaturas Lusófonas), apresenta-nos dois novíssimos poetas brasileiros – Rodrigo de Souza Leão e Ana Tereza Salek.
Escritor, jornalista e músico, Rodrigo (Antônio) de Souza Leão , nasceu no Rio de Janeiro/RJ, em 04 de novembro de 1965. Publicou dez e-books de poesia. Seus poemas sairam também na revistas Coyote, Et Cetera, Poesia Sempre, El Piez Naufrago (México), Oroboro. Premiado com o quarto lugar no Concurso de Const José Cândido de Carvalho, em 2002. Partecipou como músico do CD Melopéia, de Glauco Mattoso. Consta da antologia Na Virada do Século – Poesia de Invenção no Brasil, organizada por Claudio Daniel e Frederico Barbosa (São Paulo, Editora Lancy, 2002). Publicou Há Flores na Pele (João Pessoa, Ed. Trema, 20010 E Todos os Cachorros são Azuis (Rio de Janeiro, Ed. 7Letras, 2008). Escreveu artigos e resenhas para os jornais O Globo e Jornal do Brasil. Morreu no Rio de Janeiro, em 02 de julho de 2009.
meu pai que não está na foto
com distância nas pálpebras
fechadas de minha razão
pude sentir a minha Loucura
sempre sorrindo de dentadura
oro aos sãos que me querem
tateando o Horizonte dentro
daquela noite eterna
em que me deitei em mim
pra sempre quis estrelas
quem sabe irei ser um dia
aquela que adiante guiará
meu pai no mar da poesia
toda a vida em um segundo
morrendo a cada
dez minutos uma vez
o círculo se fecha
e cada vez mais
o que vai indo vai
pra nunca mais
o que fica é o futuro
uma criança na foto
por que nenhuma
mãe guardou
nossas fotos
quando adultos
tributo
não tem uma teoria que explique o que sinto
não tem ninguém que nunca não mentiu
alguém pode vir aqui e escolher entre os
poemas errados que escrevi nesses últimos
vinte e quatro anos: é um número gay power
diria que não sou gay, mas não é isso que
pensam. pensem o que quiserem os pensadores.
o pensamento foi feito para ser livre como
este verso. aliás, que versinho sem vergonha.
nunca mais escrevi alguma coisa que preste.
acho que que estou condenado a isso; melhor
seria me calar ou manter minha abstinência
poética. é que a vida tem tão pouca poesia
para tanto poeta que insisto nessa linha de
força. como se só restasse isso a fazer.
Ana Tereza Selek nasceu no Rio de Janeiro, em 1988. Publicou o livro de poemas Dezembro, 2010.