por Rui Oliveira
O início do fim de semana coincide com o arranque das comemorações que a Culturgest organiza para assinalar os seus 20 anos de actividade, onde afirma :
Há vários percursos possíveis, não dá para ver tudo no mesmo dia. Não há bilhetes pagos, mas tem de se levantar senhas na bilheteira para os espectáculos com lotação fixa ».
O programa completo pode ser consultado aqui .
Lembramos alguns aspectos da sequência que se repetirá no Sábado e Domingo com ligeiros acrescentos :
Das 19h às 20h há Mais Pra Menos Que Pra Mais (trabalho em progresso) de Vera Mantero & convidados, um espectáculo de dança no Grande Auditório.
Das 19h às 19h40 segue-de Interpretação (trabalho em progresso) de Jacinto Lucas Pires e Tiago Rodrigues
Tema : Um homem é intérprete na Europa. Nas instituições europeias, atrás de um vidro, com um microfone à frente. Conta a sua história, os espantosos factos da História. A grande narrativa europeia e um homem real, em simultâneo. A Europa é um corpo sentado? Que palavra nos poderá fazer levantar? … Os nacionalismos ou a união, os mercados ou a política, a guerra ou a paz? Comecemos pelo fim, um homem em grande plano: o vazio da morte ou o amor, o amor, o amor que fura os tempos?
Das 20h15 às 21h25 há novamente teatro (na Sala 6) The Oh Fuck Moment (O Momento Ai Merda) de Hannah Walker e Chris Thorpe.
A poeta Hannah Walker e o criador teatral Chris Thorpe (autor de Overdrama para a Culturgest em 2011) examinam as entranhas poéticas dos erros num pacote de palavras e luzes fluorescentes. The Oh Fuck Moment é uma conversa à volta de uma mesa para almas corajosas levantarem a mão e confessarem que fizeram merda, ou para as pessoas se rirem de nós porque o fizemos.
«Fazer merda é o momento mais verdadeiro, engraçado e assustador que se pode experimentar».
Das 20h30 às 22h30 veja-se a instalação/performance na Sala 1 Purgatório de Ana Borralho & João Galante.
Introduzindo : Segundo várias religiões, Purgatório é a condição e processo de purificação ou castigo temporário em que as almas daqueles que morrem em estado de graça são preparadas para o reino dos céus… Alguns acreditam na possibilidade de purificação das almas dos mortos, através das orações dos vivos… No Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais ‘intensamente’ foram para o inferno…
Das 20h30 às 22h haverá um espectáculo de dança na Garagem Le Sacre du Printemps (2013) de Min Kyoung Lee e João dos Santos Martins.
É uma performance coreográfica que explora a sedução e irresistibilidade do acto de dançar – até à morte – a partir da sua exposição pública. Toma como referência a mítica coreografia ausente de Vaslav Nijinsky (1913) e as suas inúmeras versões realizadas nos cem anos subsequentes. Dialogando com a história da dança e reexaminando a cerimónia contemporânea junto da comunidade do teatro, testa o significado e papel da dança, do sacrifício, do prazer e da morte. Dance we do, and dance we must.
Das 22h30 às 22h50, ouça-se um curto interlúdio musical com Solistas da Orchestrutopica na Sala 2 tocando :
Sobre um quadro de Júlio Pomar: “Fernando Pessoa encontra D. Sebastião num caixão sobre um burro ajaezado à andaluza”, (2013) de Andreia Pinto-Correia, para flauta (Katharine Rawdon) e violoncelo (Catherine Strynckx) (estreia absoluta, encomenda da Culturgest).
Apenas lhe podemos mostrar (porque são obras em estreia) o tema inspirador de José Júlio Lopes :
Das 23h às 00h, finalmente, há teatro no Palco do Grande Auditório com Away Uniform (Equipamento Alternativo) de Tina Satter (produção Half Straddle).
Humor inquietante, inventividade física e a busca da transcendência nos momentos mais ínfimos caracterizam uma peça onde a fusão continuada de passado, presente e futuro individuais parecem perturbadoramente necessários e de certa forma acolhedores.
O espectáculo conta com os reconhecidos performers nova-iorquinos Pete Simpson, Jess Barbagallo e Emily Davis, apoiados pela banda-sonora original de Chris Giarmo.
Este foi o seu vídeo-anúncio :
Trata-se de um monólogo para piano semi-preparado, com instalação de campainhas e sirenes, toy piano, caixas de ruído e mini-amplificadores.
Mostramos-lhe o trailer do filme de Daniel Neves “Through this Looking Glass” que pretende captar as imagens sonoras experimentais da peça homónima de Joana Sá :
O Centro Cultural de Belém (CCB) apresenta, nesta Sexta-feira, 4 de Outubro, dois espectáculos, um internacional, outro português, de algum sucesso público (o primeiro) mas mais curioso (o segundo).
Assim, no Grande Auditório do CCB, às 21h, o coro apenas vocal (sem instrumentos) The Voca People actua pela primeira vez neste palco entre nós (ao que julgamos). Repetem-no no Sábado, 5 (às 16h) e no Domingo, 6 (às 21h).
Formação israelita composta por Boaz Ben David (beat on), Inon Ben David (scratcher), Eyal Cohen (tubas), Gilan Shahaf (tenor), Adi Kozlovsky (contralto), Naama Levy (mezzo-soprano), Oded Goldstein (barítono) e Rahmin Liraz (soprano), os Voca People oferecem uma experiência vocal e teatral com sucesso mundial, na qual temas famosos de Michael Jackson, Madonna, Tom Jones, entre outros, são a banda sonora de «um espectáculo musical único que os espectadores partilham, cheio de humor, fascínio e energia».
Eis um meddley seu interpretado no “Montreux Comedy Festival” de 2010 para o leitor conhecer :
Também na Sexta-feira, 4 de Outubro, às 21h (com réplica no Sábado às 19h), se mostra na Sala de Ensaio do CCB “Eternuridade” com direcção e coreografia de Amélia Bentes, dramaturgia de Paulo Filipe Monteiro e música de Vítor Rua.
São intérpretes desta dança Joana Fagulha, Nuno Labau, Tiago Correia, Mariana Rodrigues, Clara Marchana, Fran Martinez, Sérgio Diogo Matias, Joana Silva, Irina Soares e Duarte Valadares.
Diz a coreógrafa : « Eternuridade surge da necessidade de pensar o corpo dos afectos. São corpos que dançam metáforas do que lhes é efémero e transitório. Metáforas que precisam de existir nem que seja apenas um instante, para se tornarem eternas. São paisagens das vidas que se vão desenrolando sem excessivo apego, porque as emoções e as sensações aparecem e passam, como nuvens num céu aberto (pesadas e leves)… As imagens oníricas e o lado poético do corpo são uma constante nos meus trabalhos: o grande desafio é colocar estes temas físicos numa composição coreográfica matemática, mas orgânica, humana, de grande emotividade e energia…».
Um bailado anterior “Mapacorpo” concebido por Amélia Bentes e por ela interpretado em 2011 com Leonor Keil sob música do mesmo Vítor Rua pode o leitor vê-lo aqui .
Outros eventos musicais na capital podem ouvir-se :
No Ondajazz, às habituais 22h30, o pianista e compositor francês Jean-Pierre Como apresenta o seu novo album “Bolero”, o que repetirá no Sábado, 5 de Outubro à mesma hora.
Considerada (segundo o Institut Français que patrocina o concerto) “uma figura incontornável do palco do jazz francês e europeu», tornou-se conhecido nestes últimos anos em quarteto (Scenario), em trio (Storia, Répertoire) ou ainda a solo com “l’Âme Sœur”.
Com esta finalidade melódica, Jean-Pierre Como formou um grupo coeso e único com três músicos de bastante talento : o saxofonista argentino Javier Girotto, o baixista e contrabaixista italiano Dario Deidda e o percussionista e baterista argentino Minino Garay.
A natureza da sua música está bem expressa neste vídeo-anúncio de “Bolero” :
No Museu do Oriente, às 21h30 desta Sexta 4 de Outubro, poderão ouvir-se “Cantigas de Goa e de Lisboa” por Sónia Shirsat (voz) e Gonzaga Coutinho (voz e piano).
Será (anuncia-se) «um espectáculo inédito de canções goesas numa fusão com a música portuguesa (do fado ao mandó), um leque de melodias com um toque de tradição cultural portuguesa, num repertório que inclui temas musicais cantados em concani, o dialecto goês».
Da actuação anterior destes dois artistas há registos deficientes como este dum fado na Semana Indo-Portuguesa (ver aqui ).
Já Gonzaga Coutinho apresentara no Museu do Oriente o seu último álbum Shangri Lá Goa que se revelou um sucesso internacional, de que lhe mostramos um excerto aqui :


