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A ALEMANHA REJEITA A CRÍTICA FEITA PELO TESOURO AMERICANO – por ROBIN HARDING e JEEVAN VASAGAR

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota 

A Alemanha rejeita a  crítica feita pelo Tesouro americano

Germany rebuffs US Treasury criticism

Por Robin Harding em  Washington e  Jeevan Vasagar in Berlin

Financial Times, 31 de Outubro de 2013

A Alemanha reagiu às declarações do Secretário do Tesouro americano, depois de ter sido alvo de uma forte crítica em que se responsabiliza  a maior economia da zona euro de estar a impor um forte enviesamento deflacionista à  zona euro e à economia mundial.

Embora o Tesouro americano  já tivesse criticado a política alemã anteriormente, neste seu  novo relatório semestral subiu o tom nos seus  comentários com uma conclusão final ao lado da  subavaliação da moeda chinesa  e do estímulo monetário da política japonesa .

O Ministério das Finanças federal alemão respondeu que o seu excedente da balança  corrente “não era  motivo para nenhuma preocupação, nem para a Alemanha, nem para a zona euro nem para a economia global”.

“Há não há desequilíbrios na Alemanha, que precisem de correcção, disse um porta-voz do Ministério das finanças. “Pelo contrário, a inovadora economia alemã contribui significativamente para o crescimento global através de exportação e da importação de componentes para produtos acabados.”

O porta-voz acrescentou que a Alemanha tinha um crescimento “robusto” dos salários e que a economia está a deslocar-se para  a procura interna.

A decisão dos EUA de nomear  directamente a Alemanha no relatório expressa uma  profunda frustração para com a maior economia da zona do euro entre os principais actores da  política internacional  que acham difícil que países periféricos  como a Grécia possam  crescer se a Alemanha não criar uma procura para as suas  exportações.

A Alemanha tem mantido um grande excedente na balança  corrente durante toda a crise  financeira face à zona euro , e em 2012, o excedente da balança corrente, em termos nominais,  da Alemanha foi mesmo maior que o da China “disse que o relatório do Tesouro.

“O ritmo de crescimento da procura interna da Alemanha, verdadeiramente anémico,   e a sua dependência das exportações têm dificultado a reequilíbrio num momento  em que muitos outros países da zona euro têm estado sob forte pressão para reduzir a procura interna e comprimir as importações, a fim de promover o seu  ajustamento”.

Embora os responsáveis políticos da zona euro tenham  mostrado sinais de recuperação como em Espanha e noutros países, os decisores das  políticas dos EUA permanecem profundamente cépticos que  os problemas da zona monetária sejam o resolvidos e temem mesmo uma outra crise que, essa sim, atingiria o seu próprio crescimento.

No entanto, Alemanha tem resistido  à aplicação de políticas  para incentivar  um mais rápido crescimento dos salários ou pôr em prática uma política orçamental expansionista  para estimular a procura

O relatório sobre as divisas  também soou um renovado  aviso sobre a moeda chinesa, dizendo que o renminbi tinha-se  apreciado pouco nos últimos meses e que China tinha retomado as suas intervenções no mercado de câmbi  .

“A evidência de que a China retomou em grande escala as compras de divisas estrangeira  este ano, apesar de já ter acumulado US $3 .6 milhões de milhões em reservas cambiais… é sugestiva das  acções que estão a impedir  a determinação pelo  mercado do valor da sua moeda, moeda esta que assim permanece significativamente subvalorizada,” diz o relatório do Tesouro.

Mas ficou por aqui e sem acusar  oficialmente a  China de estar a  manipular o valor da sua  moeda. Se o Tesouro considera publicamente que está a manipular o valor da sua moeda, então, dessa posição segue-se, ao abrigo do estatuto que exige o relatório, que os Estados Unidos devem abrir imediatamente negociações com o país para ajustar a referida  taxa de câmbio.

Nos últimos anos, o Tesouro tem preferido incentivar a China a revalorizar o renminbi e argumentou que fez progressos no sentido de esta o fazer.

http://www.ft.com/cms/s/0/821fbcba-41b1-11e3-b064-00144feabdc0.html#axzz2m4wsthPM

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