Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
A comparação entre várias recessões
Crítica da política económica alemã
Tejvan Pettinger
Do blogue ECONOMICS HELP
PARTE III
(CONCLUSÃO)
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Recentemente, o Secretário de Estado do Tesouro dos EUA criticou a política económica alemã. Os americanos discutem o modelo de crescimento assente nas exportações que é aplicado pelo governo alemão e discutem igualmente o anémico ritmo da sua procura interna como sendo prejudicial para o crescimento europeu e global.
“O ritmo do crescimento anémico da procura interna na Alemanha e a dependência das suas exportações impediram o reequilíbrio numa altura em que muitos outros países da zona euro estiveram sob forte pressão para conter a sua procura e limitar as suas importações a fim de promover o seu ajustamento”
“O resultado tem sido um viés deflacionista na zona do euro, bem como na economia mundial ” (BBC link)
Isto pode parecer um pouco paradoxal para os EUA estarem a criticarem as políticas económicas de outros países, quando os seus próprios argumentos sobre o tecto da dívida ameaçaram lançar os EUA e a economia global para uma maior recessão ainda.. Mas, porque o criticismo dos Estados Unidos contra a Alemanha e porque é que ele é justificado?
Criticismo da política económica da Alemanha
Moeda única. A grande questão com a economia alemã é o facto de que a sua adesão ao Euro significa que as suas acções têm um impacto significativo noutros países da zona euro.
Essencialmente os países do Sul da zona euro estão a ser forçados em prosseguir políticas deflacionistas e com forte austeridade . Isto envolve os cortes governamentais na despesa pública para tentar cumprir as metas de redução do défice orçamental. Isto significa reduzir a procura interna e provocar recessão no sul da Europa. Os países do Sul da Europa também estão a tentar restaurar a sua competitividade em termos de custos unitários. Isto envolve tentar reduzir os custos salariais, para que as suas exportações sejam mais competitivas. No entanto, porque os países ditos periféricos da zona euro estão no euro eles não podem desvalorizar a sua moeda ( moeda única) para os ajudar a aumentar a sua competitividade. Reduzir os custos salariais através de deflação e da austeridade está a provar ser bastante prejudicial para as suas economias. Eles estão a enfrentar uma grave recessão e com elevadas taxas de desemprego. O seu grande problema é a procura interna ser insuficiente. Cortar nos salários e as reformas pelo lado da oferta estão-se claramente a mostrar incapazes de criar uma procura interna que seja suficiente para a economia para reduzir o seu desemprego.
Por outro lado a Alemanha está a beneficiar com as suas exportações, sendo muito competitiva na zona euro. As exportações alemãs são muito fortes. Mas, a procura interna alemã é fraca. Isto significa que a Alemanha está a funcionar um com um enorme excedente na sua balança corrente. A Alemanha está a ter um excedente na balança corrente maior do que o da China (FT).
Sem o euro, o resultado seria uma valorização na moeda alemã, reduzindo exportações alemãs e aumentando a su a procura interna de bens importados . Mas, nestas condições, isto não está a acontecer, o que está assim a contribuir para o enorme excedente da balança corrente e para o desequilíbrio entre o norte e o sul da Europa.
Muitos economistas argumentam que se os países europeus do Sul enfrentam uma recessão e uma pressão deflacionista , a Alemanha e o BCE devem fazer bem mais para ajudar a aumentar a procura interna na zona euro.
Por exemplo, se a Alemanha adoptasse políticas orçamentais expansionistas e se o BCE adoptasse uma política monetária menos restritiva. Isto iria aumentar a procura e tornar mais fácil para o sul da Europa vender para o mercado externo, o mesmo é dizer, para aumentar as suas exportações . Mais procura do norte da Europa ajudaria a reduzir a profundidade ou gravidade das suas recessões.
A outra crítica é a de que nem todos podem ser a Alemanha – baseando-se no crescimento das exportações e na criação de um excedente na sua balança corrente. A actual política da UE envolve a esperança de que no sul da Europa irá aumentar a procura interna através das reformas estruturais, de uma maior competitividade e de salários mais baixos. Mas, sem uma procura interna mais elevada vinda de outros países, as economias estarão estagnadas. Nem todo mundo pode replicar o modelo alemão de procurar ter um grande excedente na balança corrente. Um excedente e uma grande procura de exportações é bem diferente de défice na balança corrente e de uma procura inferior ao necessário.
Balança corrente da Alemanha e dos GIPS
A balança corrente alemã espelha o défice na balança corrente na Grécia, Irlanda Portugal e Espanha.
A Alemanha respondeu argumentando que têm um crescimento robusto dos salários e que a sua economia de exportação é um elemento significativamente dinamizador do crescimento económico global. Isto é verdade mas apenas até certo ponto. Mas a dimensão do excedente da sua balança é prova evidente de que poderiam fazer muito mais para aumentar a sua procura. Isto ajudaria a Europa na sua retoma e a reduzir a pressão das políticas de austeridade. A retoma no sul da Europa é no interesse também da própria Alemanha e da zona euro, mas as políticas atuais de se depender das políticas de austeridade e dos cortes salariais não está a funcionar e o sul da Europa está a pagar um custo muito elevado em termos de desemprego.
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Para ler a Parte II deste trabalho de Tejvan Pettinger, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS



