falo das notas estridentes do sangue sobre a calçada
dos respingos de lume que os navios desesperados
soltam durante os incêndios
torna-viagem-sem-retorno
flor de fogo estrela ou dor fautível
sobre os altos oceanos do mar.
(…)
desta maneira denuncio
registo a memória
arrumo os dias contraditórios
entre o absurdo e a alegria.
(de “Estrada de um Dia Só”)
Poetisa, pintora e também autora de textos para a infância. Colaborou nos volumes colectivos “Ilha” (1975), “Ilha 2” (1979), “Ilha 3” (1991) e “Ilha 4” (1994). Obra poética: “ Hora Imóvel” (1968), “O Pé dentro d’Água” (1980), “Ilha que é Gente” (1986), “A Mão que Amansa os Frutos” (1991), “Estrada de um Dia Só” (1995), “Protesto e Canto de Atena” (2002), “Água de Mel e Manacá” (2002).