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MORREU VASCO GRAÇA MOURA

E o lugar-comum «com a morte de Vasco Graça Moura, a cultura portuguesa fica mais pobre» corresponde à verdade, como aliás quase sempre acontece com os lugares-comuns. Dispensamos dados biográficos que podem ser colhidos em muitos outros sítios e não vamos referir os cargos políticos que exerceu. Preferimos recordar as suas excelentes traduções de Fedra, Andromaca, Berenice, de Racine, de O Cid, de Corneille, de A Divina Comédia, de Dante,  de Cyrano de Bergerac, de Edmond de Rostand, de O Misantropo, de Molière ou dos Sonetos, de William Shakespeare. Preferimos recordar os seus poemas, os seus romances e até a energia convicta com que lutava contra o Acordo Ortográfico. Quanto a ele apenas “serve interesses geopolíticos e empresariais brasileiros, em detrimento de interesses inalienáveis dos demais falantes de português no mundo”.Os cargos políticos, os lugares que ocupou, não os vamos referir.

Há figuras que estão para além dos partidos e do ponto do quadrante político em que se situam – que José Saramago fosse militante do PCP, que Natália Correia ou Cesariny tenham aderido ao PPD-PSD, são pormenores irrelevantes para avaliar o que foram e o que fizeram. Um dado biográfico que nos informa sobre uma opção partidária. Nada mais do que isso. Vasco Graça Moura é um caso diferente – fez carreira na política e navegou a cultura devido a essa carreira política. Os elogios de Passos Coelho e até os de Cavaco Silva nada acrescentam à sua glória. Lamentamos a perda de um intelectual válido, inteligente, de um tradutor escrupuloso.  Ponto final

 

 

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