LUÍS DE CAMÓES – VOLTAS A MOTE ALHEIO


LUÍS DE CAMÓES – VOLTAS A MOTE ALHEIO
Se me levam as águas
Nos olhos as levo
Se de saudade
Morrerei ou não,
Meus olhos dirão
De mim a verdade.
Por eles me atrevo
A lançar as águas
Que mostrem as mágoas
Que nesta alma levo.
As águas que em vão
Me fazem chorar,
Se elas são do mar,
Estas de amor são.
Por elas relevo
Todas minhas mágoas;
Que, se força de águas
Me leva, eu as levo.
Todas me entristecem,
Todas são salgadas;
Porém as choradas
Doces me parecem.
Correi, doces águas,
Que, se em vós me enlevo,
Não doem as mágoas
Que no peito levo!
Nota – Da antologia Lírica, Luís de Camões, Editores Reunidos, Lda., 1994, e RBA Editores, S. A., distribuída pelo Público em 1994.