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POESIA AO AMANHECER – 486 -por Manuel Simões

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                        KOSTANTINOS KAVAFIS

                                               ( 1863 – 1933 )

            OS BÁRBAROS

            (fragmento)

            – Na agorá, na multidão, quem esperamos?

             – Os Bárbaros, que devem chegar.

             – E porque é que os Senadores não se mexem?

            O que esperam eles para legislar?

             – É porque devem chegar, hoje, os Bárbaros.

            Para quê ditar leis? Apenas chegados,         

            os Bárbaros, será tarefa deles.

             – Porque é que o Imperador se levantou

            tão cedo e está parado à entrada

            com a coroa na cabeça?

             – É porque os Bárbaros devem chegar

            e também o Imperador está à espera

            para receber o Dux; e tem na mão

            um pergaminho com o qual

            lhe oferece títulos e honras.

             … … … … … … … … … … …

                                               – E porque é

            que todos estão nervosos? (Os rostos, à volta,

            tornam-se graves). Porque é que praças e ruas

            se esvaziam e cada um volta p’ra casa?

             – È porque anoiteceu e os Bárbaros não vêm,

            e quem chega do lado da fronteira

            diz que não há sequer sombra deles.

             – E agora que faremos sem os Bárbaros?

            (Era uma solução como qualquer outra,

            no fim de contas…).

            (de “154 Poemas”, versão a partir do italiano)

Considerado o maior poeta grego moderno. Nasceu em Alexandria (Egipto), de família grega, e passou alguns anos em Inglaterra. Publicou “154 poemas” em opúsculos. O mais próximo de um livro foi um opúsculo de 1904 (16 p.) e outro de 1910 (24 p.). Os 154 poemas foram publicados postumamente. Dos “Poemas Inacabados” há uma tradução publicada no Brasil na “Revista Literária de Tradução” (nº 2, 2011).

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