À ESPERA DOS BÁRBAROS, por Konstatinos Kavafis (1863 – 1933). Tradução de José Paulo Paes

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Konstantinos Kaváfis

O que esperamos na ágora reunidos?

            É que os bárbaros chegam  hoje.

 Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam  mais?

           É que os bárbaros chegam  hoje.

          Que leis hão de fazer os senadores?

          Os bárbaros que chegam  as farão.

 

Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?

 

            É que os bárbaros chegam  hoje.

            O nosso imperador contar saudar

            o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe

            um pergaminho  no qual estão escritos

            muitos nomes e títulos.

 

Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam  togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos,

de ouro e prata finamente cravejados?

 

              É que os bárbaros chegam  hoje,

              tais coisas os deslumbram.

 

Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?

 

               É que os bárbaros chegam  hoje

               e aborrecem a rengas, eloquüências.

 

Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade  nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam  para casa preocupados?

       

                 Porque é já noite, os bárbaros não vêm

                 e gente recém-chegada das fronteiras

                 diz que não há mais bárbaros.

 

Sem bárbaros o que será de nós?

Ah! eles eram uma solução.

 

Konstantinos Kaváfis
trad. José Paulo Paes
Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1982

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