O que está a ocorrer em Gaza não tem justificação. Trata-se de um massacre puro e simples. Só um fanático sionista não reconhece este facto. Não há ignorância ou ingenuidade que cheguem para explicar que se aceite o esmagamento de um povo do modo como Israel está a fazer à população alojada em Gaza. Boa parte das pessoas que ali vivem actualmente já vieram de outras partes da Palestina, após terem sido expulsas de suas casas pelos sionistas. O objectivo de Israel é óbvio: obrigar os actuais habitantes de Gaza a deixarem as suas casas e irem engrossar os milhões de palestinianos que já vivem longe da sua pátria. A brutalidade do procedimento, a crueldade dos seus mentores são claras: mas espantosamente ainda encontramos quem procure justificar estas acções genocidas.
Os actuais governantes de Israel não estão interessados na constituição de um estado palestiniano. Constituiria um grande obstáculo para os seus projectos de expansão. Todo o processo de implantação dos colonatos está aí para o demonstrar. São instalados em terras ocupadas tradicionalmente pelos palestinianos, que são obrigados a abandoná-las por todos os meios. Daí o bloquearem na ONU, com o apoio incondicional dos Estados Unidos, o reconhecimento do Estado Palestiniano, em pé de igualdade com os outros estados. O Estado Palestiniano conseguiu até à data apenas ser reconhecido como Estado Observador, apesar do apoio da grande maioria dos estados com assento na Assembleia das Nações Unidas.
A única saída para esta terrível situação é uma intervenção internacional em grande escala. As gravíssimas responsabilidades das potências ocidentais no processo, desde a Declaração Balfour, de 1917, impõem que tenham uma atitude equitativa e decisiva no processo, como nunca tiveram até á data. Essa atitude (melhor dito, mudança de atitude), terá passar por fazer imposições drásticas a Israel, começando por uma redução drástica no seu poderio militar, e uma mudança profunda nas suas atitudes. Passará também pela implantação de um processo de paz duradouro no Médio Oriente, o que requer deixar de apoiar extremistas religiosos contra governos laicos, não voltar a atacar governos democraticamente eleitos, e nunca mais promover acções como os ataques ao Iraque e à Líbia, que tiveram os resultados que estão à vista.