O caso BES põe aos portugueses a necessidade de fazerem uma reflexão profunda sobre o que está na origem de problemas deste tipo, que ocorrem de tempos a tempos no nosso país, sempre com efeito muito pesados na vida de todos. É óbvio que o caso BES vai custar caro ao bolso dos portugueses, mas não só. Também a nossa reputação vai ser atingida fortemente, tal como já o foi de outras vezes.
As razões que estão na origem do problema são várias, claro. Sobre algumas, que podemos qualificar como de origem internacional ou global, a actuação será sempre difícil, tanto mais que Portugal é um país pequeno. Contudo, não se pode negar que o nosso posicionamento, no passado e no presente nem sempre tem sido o melhor. Vejam-se os moldes em que decorreu a entrada na Comunidade Económica Europeia, ou a adesão ao euro. No passado histórico, não será difícil descortinar exemplos.
Contudo, os problemas mais graves são internos. Muitos pensadores já se debruçaram sobre eles, mas até à data com poucos ou nenhuns resultados práticos. O facto é que Portugal, na prática, é dirigido há muito por um punhado de pessoas, que alguns chamarão de oligarquia, outros apelidarão de outros nomes mais soezes, que se preocupam mais com os seus interesses individuais ou de grupo do que com os interesses nacionais, ou dos portugueses em geral. É fácil responsabilizar pelo que se tem passado o Estado, que não passa de uma amálgama pouco coerente de serviços dirigida por indivíduos escolhidos em moldes opacos, a Igreja, entidade fossilizada, também nada transparente, que vive longe do povo, os partidos, que nem sabem o que querem ou ainda outras entidades que por aí navegam. As responsabilidades pelo que se tem passado são de pessoas concretas, que têm de assumir o que têm feito. É por isso que são cada vez mais necessárias transparência e democracia nos actos públicos, e também nos actos não classificados como públicos (como as decisões que afectam a banca privada, que depois temos todos de pagar), mas que a todos nos afectam. E prevenir abusos como aqueles por cujos efeitos andamos a pagar.