DIA DOPORTO – O País de Adriano – Por César Príncipe
José Fernando Magalhães
O PAÍS DE ADRIANO
AdriAno 1942 Na Rua Formosa. Não te lembras de teres nascido Logo te mudaram de margem Logo foste provar o pão e o barro da margem esquerda Onde o Douro conVive com vinhas e areAis Antes de se recolher no oceano AliVIAndo-se dos muros que o escoltam
AdriAno 1959 Chegaste para estuDar Leis sem Direito e reSOLveste estuDar Liberdade e Fraternidade As folhas dos códigos começaram a voar Agitadas Por uma viola eléctrica Que entrou nas portas férreas como uma arma Envolta numa capa negra
AdriAno 1960 Aderiste à causa de fazer avançar oitocentos anos de história em cada hora Deste as mãos da consCiência a outras consCiências que te deram as mãos Alguns sabem que te tornaste clanDestino Mas os que não sabem ainda estão a tempo de perguntar ao vento que passa
AdriAno 1974 Então renasceste em todas as Ruas Formosas Como filho do Processo Revolucionário em Curso Do único curso que serias capaz de concluir Então correste e percorreste inúmeras praças e estradas e estrados e assim acabaste por morar na nossa rua e nós na tua
AdriAno 1982 Sofreste um acidente vascular esofágico Sepultaram-te com duas pazadas de epitáfios nos jornais e telejornais O acidente Após revoadas de trovas e trovões Antes e depois
AdriAno 2015 Vingaremos o acidente Com o Pescador do Rio Triste Pedro Soldado O Canto e as Armas Lágrima de Preta Exílio Emigração Cantarabril Escuta Ó trovaDor de alvOradas Andarilho dos lugares necessários Porto e Avintes e Coimbra e Santarém e Lisboa e Mondim de Basto e Beja e Loulé e cidades da Europa e do Mundo Que comtigo aprenderam a localizar Portugal Escuta-te Escuta-nos Fincado na geografia de pedra e neblina Ó Sorriso de Menino do Norte Lê este edital aos que se supõem vencidos Manda-os consultar os tapumes das obras urGentes Ó robusto bardo caído aos pés da alegria Contigo desfraldamos as bandeiras que não mudam de cor Cantamos as multidões de gotas que correm para o mar Com pressa de transformar o presente em futuro
AdriAno Sem Ano A esta hora já te terão confidenciado (Pois te cingiram uma coroa de cravos e espigas e pâmpanos)
Continuamos de pé Inauguraremos um país com o teu nome