Peer Gynt é uma daquelas personagens que tal como Ulisses ou Dom Quixote pertencem a um domínio maior da literatura, a sua personalidade é tão forte que sai da própria obra e ganha uma identidade própria dentro do imaginário dos leitores/espectadores. A acção atravessa toda a vida do protagonista, desde a infância à morte, uma viagem física da Noruega ao Médio Oriente, e, ao mesmo tempo, uma viagem interior pelo autoconhecimento, onde o enigmático Peer Gynt – para muitos o paradigma do anti-herói egoísta e inconsciente da consequência das suas acções – vai percorrer um mundo recheado de fantasia e desespero, tendo sempre por objectivo, seja no universo subterrâneo dos trolls ou num manicómio no Cairo, ser imperador de todo o planeta.
A peça, escrita em 1867, foi catalogada por Henrik Ibsen como um poema dramático, tão audaz e grandiosa que, segundo o próprio autor, seria impossível transpor para palco. O último século provou o contrário e Peer Gynt, hoje, mais do que um clássico, é uma obra actual, grandiosa e que mantém acesa a pergunta fundamental que o Homem ainda e sempre se colocará: quem sou eu?
Espectáculo integrado nas comemorações dos 50 anos do Teatro Experimental de Cascais e no Festival Internacional de Cultura
Estrutura financiada pelo Governo de Portugal | Secretário de Estado da Cultura,
DGArtes | Direcção Geral das Artes e Câmara Municipal de Cascais
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