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EDITORIAL – TER OU NÃO TER MÉDICO DE FAMÍLIA

Em campanha eleitoral, o médico de família é mais uma das promessas. logo editorialAgora, para sensibilizar mais, vem revestida do rebuçado “criança”. A Lei n.º 79/2015 publicada a 29 de Julho define que “nenhuma criança em Portugal pode ficar privada de médico de família”. E os restantes elementos? Há criança sem família? Para isso será reforçado o número de profissionais de medicina geral e familiar. Mas, voltemos atrás, às promessas.

Paulo Macedo prometeu dar um médico de família a todos os portugueses. Neste momento, cada médico de família tem em média o máximo de 1900 utentes. O cálculo, em Fevereiro deste ano, apontava para 1,28 milhões de utentes ainda sem médico de família.

Em Abril tentou-se resolver o problema aumentando o número de utentes para cada médico: dar-lhes mais 600 e ficando com 2 500. Este número implicaria que o médico passasse a dispor de menos de cinco minutos para ver cada doente, em média! Os cálculos apontam para que cada pessoa vá ao médico de família três vezes por ano. Esta proposta foi abandonada devido às críticas dos sindicatos. Jorge Roque da Cunha, coordenador do Sindicato Independente dos Médicos considera a situação uma “indignidade de cerca de um milhão de pessoas não ter médico de família em Portugal”.

O bastonário da Ordem dos Médicos (JN 21.8.15) considera a recente lei como “indecorosa propaganda embusteira” e lembra que se o Ministério da Saúde falhou a única promessa que fez ao país foi pelos “cortes cegos e pelas más condições de trabalho no SNS” e não por falta de médicos, pois muitos abandonaram o serviço com reformas antecipadas e para o sector privado ou para a emigração. Considera que “as medidas implementadas pelo MS para contratar médicos reformados foram um falhanço, porque as condições oferecidas eram deploráveis”.

 

 

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