
O papa Francisco continua a surpreender. Pela negativa, no meu modo de ver. Serei das poucas pessoas a ver as coisas assim. Espanto-me, ao ver que até intelectuais de renome acham que a igreja católica teria mais membros com papas assim como Francisco. O que, no seu douto entender, faria diminuir o número de ateus ou agnósticos no Ocidente, onde é quase moda dizer-se ateu, graças a Deus. Precisamente, o mesmo Deus negado pelos ateus e acreditado pelo papa e pelos cristãos. Uns e outros, adoradores do Dinheiro, o único deus do Ocidente cristão. Com destaque para a Europa do euro que consegue continuar a crescer em riqueza, à custa do empobrecimento dos povos dos países africanos e latino-americanos que, há séculos, são sistematicamente roubados, assassinados pela cruz e pela espada. Com a Bíblia a justificar-canonizar todos estes genocídios que prosseguem hoje no mar Mediterrâneo e nos países europeus aonde entram como emigrantes “ilegais”. A mais recente surpresa do papa Francisco é conceder aos sacerdotes católicos, no decurso do que ele chama “O ano jubilar da Misericórdia” (Dezembro 2015-Novembro 2016), a faculdade de perdoar o pecado do aborto às mulheres que lhes dêem provas de sério arrependimento. Fundamentação do papa: O perdão de Deus “não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido”. Entretanto, fora desses meses, o aborto volta a ser penalizado com a excomunhão automática, pelo que só os bispos residenciais, ou os sacerdotes em quem os bispos delegarem, poderão absolver as mulheres que o praticarem. Duas conclusões retiro eu desta patética decisão do papa: 1, O papa Francisco é o único homem sobre a terra que manda em Deus; 2, A total inutilidade dos sacerdotes. Afinal, não passam de pretensos intermediários que só estorvam, entre as pessoas e Deus. Porque, afinal, quem perdoa é Deus. Não os sacerdotes!

2 Setembro 2015

