Não queremos hoje falar de eleições. Preferimos antes falar sobre um ser de eleição. Foi no dia 6 de Outubro de 1923 que se sentou na cadeira presidencial do Palácio de Belém um dos mais notáveis homens que ocuparam a tão importante, a mais elevada magistratura da jovem República Portuguesa – 0 escritor Manuel Teixeira Gomes.
Exerceu o cargo até 11 de Dezembro de 1925. Com um percurso académico algo errático, frequentou o curso de Medicina sem o completar (por manifesta falta de vocação) optando por uma formação autodidáctica nas duas grandes cidades do País no convívio com intelectuais como Fialho de Almeida, Marcelino Mesquita, João de Deus, Gomes Leal, Columbano Bordalo Pinheiro, António Nobre. No Porto conheceu Sampaio Bruno, iniciando a sua colaboração em revistas e jornais, entre eles O Primeiro de Janeiro, aFolha Nova, Arte & vida (1904-1906) e Atlântida (1915-1920).
Foi escritor de mérito que seria talvez mais conhecido e antologiado se o cargo pomposo e tão ambicionado não sufocasse uma obra que merecia ter tido maior divulgação – referimos as três mais valiosas (quanto a nós): Sabina Freire (1905); Gente Singular(1909) e Novelas Eróticas(1935)-
Não .terá sido um grande homem na política (houve algum?), embora tenha exercido o cargo com dignidade e protagonizado a retirada de forma honrosa. Num dia em que se fala de eleições, lembramos a figura de um homem que se autoexilou desgostoso com uma República que herdou da Monarquia o conceito de que o poder político´é um poleiro de onde se faz fortuna e se ajuda os familiares e os amigos a subir na vida.