RICARDO III, NO TEATRO DONA MARIA II, DE 15 DE OUTUBRO A 1 DE NOVEMBRO
clara castilho
Dois anos passados sobre a descoberta dos ossos de Ricardo III, antigo rei de Inglaterra, sob o alcatrão de um parque de estacionamento da cidade de Leicester, é o momento perfeito para fazer desenterrar a peça homónima de William Shakespeare, datada de 1592, que relata a mais maquiavélica subida ao trono de que há memória.
Ocupado pelo débil Eduardo IV, que cedo perde a vida, o trono de Inglaterra estava longe de se destinar a Ricardo. Precediam-no, na linha de sucessão, o irmão mais velho, Duque de Clarence, e o jovem sobrinho Eduardo, Príncipe de Gales, cuja guarda lhe havia sido confiada. Porém, para chegar à coroa, Ricardo experimenta um caminho carregado de pérfidos esquemas, minando a corte inglesa de falsidades e conduzindo os seus opositores à morte.
Com direção artística de Tónan Quito, o espetáculo oscila, paradoxalmente, entre o desprezo e o fascínio por este ardiloso ser. Ricardo III é o centro de si próprio, a explosão do eu: “Ricardo ama Ricardo, ou seja, eu sou eu”. E assim se vai seguindo, de morte em morte, de mentira em mentira. Seremos todos Ricardo?
com António Fonseca, Márcia Breia, Miguel Loureiro, Miguel Moreira, Miguel Sobral Curado, Paulo Pinto, Raquel Castro, Romeu Runa, Sofia Marques, Teresa Sobral, Tónan Quito