Dois anos passados sobre a descoberta dos ossos de Ricardo III, antigo rei de Inglaterra, sob o alcatrão de um parque de estacionamento da cidade de Leicester, é o momento perfeito para fazer desenterrar a peça homónima de William Shakespeare, datada de 1592, que relata a mais maquiavélica subida ao trono de que há memória.
Ocupado pelo débil Eduardo IV, que cedo perde a vida, o trono de Inglaterra estava longe de se destinar a Ricardo. Precediam-no, na linha de sucessão, o irmão mais velho, Duque de Clarence, e o jovem sobrinho Eduardo, Príncipe de Gales, cuja guarda lhe havia sido confiada. Porém, para chegar à coroa, Ricardo experimenta um caminho carregado de pérfidos esquemas, minando a corte inglesa de falsidades e conduzindo os seus opositores à morte.
Com direção artística de Tónan Quito, o espetáculo oscila, paradoxalmente, entre o desprezo e o fascínio por este ardiloso ser. Ricardo III é o centro de si próprio, a explosão do eu: “Ricardo ama Ricardo, ou seja, eu sou eu”. E assim se vai seguindo, de morte em morte, de mentira em mentira. Seremos todos Ricardo?
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FICHA ARTÍSTICA

