A perda de cérebros privilegiados, como era o de Umberto Eco ou o de Harper Lee, escritora norte-americana, vencedora do prestigioso Prémio Pulitzer de Ficção em 1961 pela sua obra de ficção To Kill aMockingbird («Por favor, não matem a cotovia»), obrigam-nos à sacramental frase -«o mundo ficou mais pobre». Mas o curioso nos lugares- comuns, é que, geralmente, têm uma razão irrefutável e ganham em rapidez de afluência aos nossos cérebros e aos nossos aparelhos fonadores a definições mais sofisticadas, mas que, no fundo, significam o mesmo.
Umberto Eco foi uma das provas provadas de que o Prémio Nobel obedece a critérios que são tudo menos literários. Um exemplo – Camilo José Cela, terá sido um bom ficcionista, tendo como expoente máximo da sua obra La colmena. Mesmo sem sair do Estado espanhol, encontramos escritores com obras mais esplendorosas. Sobre Eco, teremos amanhã um artigo assinado por quem o conheceu e estudou – Manuel Simões, professor de Língua e Literatura portuguesa na Universidade de Veneza. Harper Lee, será objecto de um estudo de João Machado.
Alargando o universo a outros escritores em castelhano, há os casos escandalosos de dois argentinos – de Jorge Luis Borges e de Ernesto Sábato, eternos candidatos. E o de muitos outros, incluindo a do baiano Jorge Amado. Uma invulgar capacidade de efabulação e uma escrita límpida, justificavam plenamente o êxito das suas obras. E um Nobel. Mas todos sabemos que os prémios nem sempre são atribuídos com equidade – nem em Lisboa, nem em Estocolmo. Sartre ao recusar o Nobel e Herberto Hélder o Pessoa, deram impares exemplos de probidade.
Pensador, humanista, semiólogo – tudo o que fazia e criava, tudo o que ensinava tinha rigor e consistência intelectual.