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DAR A CONHECER A LITERATURA A QUEM SABE LER DE UMA OUTRA FORMA – OS INVISUAIS por Clara Castilho

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São as bibliotecas digitalizadas para cegos.

Por exemplo, na TifloLibros são cerca de 50.000 livros em espanhol os que integram a primeira biblioteca digitalizada para cegos em Buenos Aires, fundada pelo argentino Pablo Lecuona em 1999. Alcançou reconhecimento internacional pois foi premiada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre contribuição para a redução da pobreza e da desigualdade na América Latina e no Caribe”, com um prémio de 75.000 dólares.

Porquê o nome? Porque é o nome de uma ilha – Tiflos – de onde os cegos eram banidos, segundo a mitologia grega. A perspectiva de Pablo Lecuona é a de que “Não se trata de que o mundo se adapte ao deficiente, mas que ele encontre as ferramentas para a inclusão”.

Como todos os sonhos, começa-se a pequena escala. A Tiflolibros iniciou-se na casa familiar, com um computador, uma impressora em braile e um scanner digital.Hoje, com seus 7.500 inscritos de forma gratuita e 300 instituições participantes, a biblioteca coloca na rede cerca de 500 títulos em espanhol.

No Brasil, a Fundação Dorina Nowill para Cegos criou uma biblioteca online e completamente gratuita para deficientes visuais, a Dorinateca. São diversos títulos publicados em formatos especiais acessíveis às pessoas com pouca ou nenhuma visão, como os volumes em braille, que podem ser impressos em alto relevo. Há também o livro falado, com a narração gravada e disponível para download.

O acervo traz obras de todos os géneros, desde clássicos da literatura como Shakespeare e Machado de Assis, histórias infantis e contos de fadas, até obras de não ficção voltadas para Marketing, Direito, Sociologia e outros temas. A expectativa é de que até o final do ano sejam mais de 4.500 títulos disponíveis.

Com o objectivo de promover a inclusão social de pessoas com deficiência visual, Dorina Nowill criou a fundação em 1946. A paulistana, que se formou professora e se especializou em educação de cegos nos Estados Unidos, sentiu uma grande escassez de livros em Braille e decidiu produzir esse conteúdo gratuitamente.

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