Os tipos (os maníacos) do Jazz – ao contrário de toda a gente – não gostam propriamente das músicas, dos temas musicais que ouvem.
Não. Eles gostam é das interpretações. São uns chatos e uns complicados com quem não se pode conversar, discutir, falar de uma composição, seja ela qual for, porque perguntam logo, a desconversar:
– Sim, mas qual? Quem? Quando, em que gravação, qual o grupo? Etc.
São (mesmo) impossíveis de gramar.
Por exemplo, esta clássica composição, conhecidérrima de todas as pessoas normais que me estão a ler, é tão estranha e incomum que até mesmo alguns deles (dos tais, os obcecados) seriam capazes de não a reconhecer a princípio, com aqueles absurdos acordes, todos errados – a não ser pela letra.
Este raio desta Patricia Barber não foi concebida para pessoas normais. Tudo o que dela se consegue tirar, é algum ritmo, sinuoso e discretamente puxado. Porque a forma como canta e o que pràli toca no piano não é coisa nenhuma. Não se percebe minimamente.