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CARTA DE VENEZA – Literatura e cinema por Vanessa Castagna

 

Há poucos dias foi apresentado o programa completo do próximo Festival Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza, que este ano decorrerá entre os dias 2 e 12 de setembro. Como sempre, não faltam elementos geradores de polémica, sendo um deles a presença de apenas uma realizadora na secção dos vinte filmes em concurso: May El-Toukhy, com Woman Unknown, é a única mulher selecionada, o que agudiza uma tendência já visível nas edições anteriores, apesar de o Festival de Veneza ter assinado em 2018 um compromisso com a igualdade de género.

Outra polémica envolve o número avultado de filmes italianos que concorrem para o Leão de Ouro: este ano são cinco, ou seja, um quarto do total; a estes se juntam mais treze obras selecionadas para outras secções do Festival. Trata-se de uma presença muito marcada, que prejudica a dimensão internacional da manifestação, bem como, de acordo com alguns críticos, a valorização real dos filmes italianos apresentados.

Esta edição do Festival é assinalada também pelo regresso, ao fim de várias décadas, de Nanni Moretti, em concurso com o filme Succederà questa notte, inspirado num livro do escritor israeliano Eshkol Nevo. Na verdade, são várias as adaptações de livros que participarão no Festival. Na secção principal, Mr. Nelson, Did You Kill People?, do japonês Shin’ya Tsukamoto, inspira-se no livro autobiográfico de Allen Nelson, veterano afro-americano da guerra do Vietname; nas outras secções contam-se Scherzetto de Mario Martone, inspirado no homónimo romance de Domenico Starnone, La ragazza com la Leica de Alina Marazzi, inspirado no romance de Helena Janeczek (vencedor do Prémio Strega em 2018), e La città dei vivi de Edoardo Gabbriellini, que se baseia no homónimo livro de Nicola Lagioia. Uma edição do Festival que acaba por despertar também o interesse pela literatura, especialmente italiana.

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