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Diário de bordo de 25-09-2011


 

Na praça de touros Monumental de Barcelona, realizou-se ontem a penúltima tourada antes da proibição definitiva das corridas de touros na Catalunha. A praça encheu-se, o espectáculo iniciou-se com a execução do hino catalão, tendo depois lugar a tourada. Com esta proibição, o governo da Generalitat elimina uma das componentes do espanholismo e dá mais um passo no sentido da independência, quiçá da separação.

 

A República, proclamada em 1931, encetara o caminho de uma federalização que, a ter sido concretizada, poderia ter obtido resultados positivos. Franco, com a ajuda da Igreja Católica, dos grandes grupos económicos e com a cumplicidade da comunidade internacional, conseguiu fazer passar a ideia de uma Espanha una, simbolizada pelo exotismo do flamenco, pelo casticismo plasmado nos quadros de Goya ou na expressão lírica da “Carmen”, de Bizet, pela tourada…

 

O estado democrático surgido após a morte de Franco não retomou a história no ponto em que ela fora interrompida em 1936, quando se sonhava uma “Federação Espanhola”. Os “democratas” aproveitaram as sobras do banquete fascista e adoptaram a tese de uma Espanha indivisível. Foram tão ousados que adoptaram a monarquia como forma de estado sob a égide da decrépita dinastia de Bourbon. Porém, mesmo a democracia formal, está a abrir buracos na blindagem. A jangada de pedra começa a meter água.

 

  

A União Europeia cada vez mais parece ser um futuro ex- estado federal europeu. Ao que tudo indica, a ideia dessa federação vai apagando-se à medida que crescem as dúvidas na capacidade da União para eliminar assimetrias e para neutralizar hegemonias. Uma profunda crise de confiança na tal Europa unida vai alentando os movimentos anti-europeístas e mesmo reavivando xenofobias que pareciam sob controlo. No seio dessa “união”, há estados artificiais – a Grã-Bretanha, a Bélgica e Espanha. Assistimos nestas últimas décadas ao desmantelamento da União Soviética, hegemonizada pela Rússia e, da Jugoslávia, onde os sérvios dominavam as demais nacionalidades e à decomposição da Checoslováquia. As velhas nacionalidades vão sendo retomadas. Qual será a próxima?

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