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UM CAFÉ NA INTERNET – Vento do Céu, por Natércia Freire

 (1920 – 2004)

Um café na Internet

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este vento do céu

que sopra rijo e firme

como o aço de um punhal,

sepulta-me entre escombros e rochedos

e varre-me entre ramas de olival.

 

Vou louca e leve como folha seca.

Espero não sei que perfumada onda.

Cântico à neve, que me cegue e leve,

me leve e me responda.

 

E enquanto escuto, como escuta o ermo,

oiço os campos e o tempo.

Sussurro secular de bocas frias

como convém a órbitas vazias…

 

Mas, louca e leve como folha seca,

espero não sei que perfumada onda,

fogo do céu que me destrua e leve

me espalhe aos quatro ventos e em esconda.

 

In Poemas, livro que terá saído em 1957. Fui buscá-lo às Líricas Portuguesas, 3.ª Série, Portugália Editora, 1958. Selecção, prefácio e notas de Jorge de Sena.

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