No dia 27 de Setembro demos notícia do lançamento, no teatro “A Barraca”, de mais livros do poeta Carlos Mota de Oliveira, De um deles tirei três poemas que convosco quero partilhar. Precisamente estes três, exactamente neste momento que vivemos. Portugal, Outubro de 2011.
DEPUTADOS
Deputados ao ar livre
Deputados com mais enxofre e fósforo
do que flúor e hidrogénio
Deputados também tu
Deputados com um pé
onde as coisas não acontecem
Deputados que só falam de beringelas
e cebolas
Deputados até que enfim nas lonas
Deputados reprimidos
Deputados que se deixam montar
aos sábados no Alentejo
Deputados que levam a mão ao peito
Enfim, deputados com inflamações
nas partes genitais.
MINISTROS
Ministros sem nervo auditivo
Ministros feitos com sangue
fígado e banha de porco
Ministros que querem uma no saco
e outra no papo
Ministros cheios de mato
e carraças
Ministros sou um seu criado
Ministros que se curvam
até à veia cava interior
Ministros que tropeçam a cada passo
Ministros com enxames de abelhas
entre as pernas
Ministros até quando
Enfim, ministros sem lavagens nos intestinos.
AUTARCAS
Autarcas amolgados
Autarcas de excessiva pequenez
Autarcas que se oferecem para ser
o arreburrinho de alguém
Autarcas chega-te aos bons
e não serás um deles
Autarcas com ardor na uretra
Autarcas buscando a presa
Autarcas que dizem glória ao pai
ao filho e à secretária
Autarcas entre leitão e cevado
Autarcas para pedir chuva
Enfim, autarcas que vão dormir
sobre o caso ou depois do acto.
