Tempos houve em que uma greve geral era um ato revolucionário: pretendia derrubar um governo ou, pelo menos, alterar radicalmente uma situação política. Os tempos mudaram: as greves, mesmo as greves gerais, tornaram-se importantes momentos de resistência, de protesto, de denúncia. Tal não significa, porém, que tenham perdido importância. Pelo contrário, mobilizam todos os trabalhadores (e outros estratos sociais) na construção de um modo de estar, que é um modo de ir construindo alternativas sociais e democráticas. É isso que os portugueses vão fazer no dia 24 de novembro próximo. Vão dizer, de forma clara, que há uma oposição firme à política de desastre 
Saúde-se o facto de a greve ser convocada, de forma pública e inequívoca, pelas duas centrais sindicais – a CGTP-IN e a UGT. A unidade dos trabalhadores é indispensável neste esforço para salvar o país, a democracia, a dignidade de um povo. Unidade sindical – que não é unicidade – que deveria servir de alento e de exemplo à convergência de todas as forças da esquerda, no respeito pelas suas pluralidades. Uma saída democrática para a crise (nacional, europeia, mundial) exige estas duas convergências: a dos trabalhadores, através dos seus sindicatos e de outras movimentações sociais, e a dos partidos políticos porque só eles, na nossa estrutura democrática, podem corporizar politicamente as reivindicações dos trabalhadores e da população.
O sucesso da greve geral de 24 de Novembro também passa pela capacidade que tiver de exigir às forças de esquerda – a todas, incluindo o Partido Socialista – que dêem passos decisivos para a derrota desta direita ultramontana que desfigura o espírito e as conquistas de Abril.
O sucesso da greve medir-se-á pela sua capacidade de unir. É nesse espírito que a Convergência e Alternativa aposta. É por isso que estamos nesta greve geral.
