Convergência e Alternativa – Editorial de 13 de Novembro de 2011

 


Tempos houve em que uma greve geral era um ato revolucionário: pretendia derrubar um governo ou, pelo menos, alterar radicalmente uma situação política. Os tempos mudaram: as greves, mesmo as greves gerais, tornaram-se importantes momentos de resistência, de protesto, de denúncia. Tal não significa, porém, que tenham perdido importância. Pelo contrário, mobilizam todos os trabalhadores (e outros estratos sociais) na construção de um modo de estar, que é um modo de ir construindo alternativas sociais e democráticas. É isso que os portugueses vão fazer no dia 24 de novembro próximo. Vão dizer, de forma clara, que há uma oposição firme à política de desastre económico e social que o governo de direita está a impor ao país. Porque não se trata de um ato imediatamente revolucionário, o governo manter-se-á; o que se poderá ter alterado é o estado de espírito dos portugueses: uma greve bem sucedida – e esta tem condições para o ser – dará uma sapatada furiosa na cultura de resignação e de aceitação da ideologia da “inevitabilidade” e do mafioso enleio com que nos tentam embrulhar invocando o superior interesse do país para justificar os roubos salariais, os ataques aos direitos laborais, a redução à indigência dos serviços públicos que um estado civilizado atual tem obrigação de garantir.

Saúde-se o facto de a greve ser convocada, de forma pública e inequívoca, pelas duas centrais sindicais – a CGTP-IN e a UGT. A unidade dos trabalhadores é indispensável neste esforço para salvar o país, a democracia, a dignidade de um povo. Unidade sindical – que não é unicidade – que deveria servir de alento e de exemplo à convergência de todas as forças da esquerda, no respeito pelas suas pluralidades. Uma saída democrática para a crise (nacional, europeia, mundial) exige estas duas convergências: a dos trabalhadores, através dos seus sindicatos e de outras movimentações sociais, e a dos partidos políticos porque só eles, na nossa estrutura democrática, podem corporizar politicamente as reivindicações dos trabalhadores e da população.

O sucesso da greve geral de 24 de Novembro também passa pela capacidade que tiver de exigir às forças de esquerda – a todas, incluindo o Partido Socialista – que dêem passos decisivos para a derrota desta direita ultramontana que desfigura o espírito e as conquistas de Abril.

O sucesso da greve medir-se-á pela sua capacidade de unir. É nesse espírito que a Convergência e Alternativa aposta. É por isso que estamos nesta greve geral.

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