Ouça! Ouça!… Não deixe de ouvir até ao fim, pois assim terá oportunidade de exclamar: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate estejam excluídas da ‘playlist’ da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!» Ao mesmo tempo que estas pérolas são votadas ao ostracismo, constata-se que a referida ‘playlist’ está atulhada de subprodutos (exógenos e endógenos), muitos dos quais promovidos ‘ad nauseam’. O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado “serviço público de rádio” que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado. Fica à reflexão dos pagantes da contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e de quem tem nas suas mãos o poder para pôr cobro a tão aberrante anormalidade.
A Nau Catrineta Letra: Tradicional (versão de Lisboa) (in “Romanceiro”, de Almeida Garrett, Lisboa, 1843, reed. Porto: Livraria Simões Lopes, 1949; Lisboa: Estampa, 1983; Lisboa: Ulisseia, 1997) Música: Fausto Bordalo Dias Intérprete: Fausto Bordalo Dias* (in LP “Histórias de Viageiros”, Orfeu, 1979, reed. Movieplay, 1991, 1999) [>> YouTube]
[instrumental]
Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora senhores,
Uma história de pasmar.
Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.
Deitam sortes à ventura,
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão-general.
– «Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!»
– «Não vejo terras de Espanha
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.»
– «Acima, acima, gajeiro,
Acima, ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal.»
– «Alvíssaras, capitão,
Meu capitão-general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal.
Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.»
– «Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.»
– «A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.»
– «Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar.»
– «Não quero o vosso dinheiro,
Pois vos custou a ganhar.»
– «Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.»
– «Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.»
– «Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíssaras te hei-de eu dar?»
– «Eu quero a nau Catrineta,
Para nela navegar.»
– «A nau Catrineta, amigo,
É de el-rei de Portugal.
Pede-a tu a el-rei, gajeiro, | bis
Que ta não pode negar.» |
[instrumental]
Nota: «”A Nau Catrineta” foi provavelmente o nome popular de algum navio favorito: diminutivo de afeição posto na Ribeira das Naus a algum galeão “Santa Catarina”, ou coisa que o valha. Dar-lhe-iam esse apelido coquete por sua airosa mastreação, pelo talhe elegante de seu casco, por algumas dessas qualidades graciosas que tanto aprecia o olho exercitado e fino da gente do mar. Ou talvez é o nome suposto de um navio bem conhecido por outro, que o discreto menestrel quis ocultar considerações pessoais e respeitos humanos. Entre as narrativas em prosa que já citei, há uma por título – “Naufrágio Que Passou Jorge de Albuquerque Coelho, Vindo do Brasil no ano de 1565” – que não está muito longe de se parecer com a do romance presente. Larga e difícil viagem, temporais assombrosos, fome extrema, tentativas de devorarem os mortos, resistência do comandante a esta bruteza, milagroso surgir à barra de Lisboa quando menos o esperavam, e quando menos sabiam em que paragens se achassem – tudo isto há na prosa da narração; e até o poético episódio de estarem a ver os monumentos e bosques de Sintra sem os reconhecer – como na xácara se viam, pela falsa miragem do demónio, as três meninas debaixo do laranjal.» (Almeida Garrett, in “Romanceiro”, Lisboa, 1843) *
[Créditos gerais do disco:]
António Chainho – guitarra portuguesa
Zé Eduardo – viola baixo Pintinhas – percussões e assistiu na produção
Carlos Meses – harmónica J
José António – harmónica baixo
Rui Cardoso – flauta
Correia Martins – violino
Carlos Guerreiro – viola braguesa
Fausto Bordalo Dias – viola
Colaboração (muito) especial de: Trovante – cavaquinho, viola braguesa, bandolim, alaúde, viola, flautas, charamela, acordeão, piano, percussões e coros Gravado nos Estúdios Arnaldo Trindade, Lisboa, durante o Verão de 1979 Som e mistura –
Moreno Pinto URL:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto_Bordalo_Dias
http://www.infopedia.pt/$fausto-(musico)
http://www.macua.org/biografias/fausto.html
http://www.oocities.org/vilardemouros1971/fausto.htm
http://www.at-tambur.com/Noticias/20021t/fausto_em_dez_etapas.htm
http://www.xs4all.nl/~joswits/Fausto/releases.htm
http://faustobordalodias.blogspot.com/
http://www.myspace.com/faustobordalodias
http://www.infoalternativa.org/radio/radio/fausto_por-este-rio-acima/index.php?autoplay=1
http://www.infoalternativa.org/radio/radio/fausto_grande-grande-e-a-viagem/index.php?autoplay=1
http://rubicat4.paginas.sapo.pt/index.html
http://fausto.blog.simplesnet.pt/
http://marius709.com.sapo.pt/index.html
http://cotonete.clix.pt/artistas/home.aspx?id=904
