Site icon A Viagem dos Argonautas

agenda cultural de 21 a 27 de Novembro de 2011

 

 

por Rui Oliveira

 

 

   1. Na Segunda 21 de Novembro, às 21h no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, regressando como que 15 anos atrás, o pianista Ryuichi Sakamoto convida os “seus bons amigos” (como diz) o violoncelista Jacques Morelenbaum e a violinista Judy Kang a regressar às sonoridades do seu disco “1996” (aqui o violinista era Everton Nelson), uma revisitação brilhante em música de câmara dos seus temas de bandas sonoras.  

 

O Trio actual de Ryuichi Sakamoto no Royal Festival Hall em 2011

 

 

 

   2. Na Sexta 25 de Novembro, às 19h e no Sábado 26 de Novembro, às 21h no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, o Coro e a Orquestra Gulbenkian recebem a direcção musical de Paul McCreesh para interpretarem a oratória de Joseph Haydn The Seasons (As Estações), Hob.XXI:3 (versão em inglês), obra que o compositor, já com a saúde debilitada, compôs em 1801 e estreou em Viena nesse mesmo ano.

    Será interessante ouvir como Paul McCreesh, agora com uma orquestra moderna no lugar dos seus Gabriel Consort Players, aborda esta obra, ele que conduziu em 2008 para a Deutsche Gramophon uma das mais interessantes versões de A Criação de Haydn.

    Os cantores solistas participantes na oratória serão Miah Persson, soprano, Andrew Foster-Williams , baixo-barítono e Robert Murray, tenor.

  

O registo integral de A Criação em 2008 com Miah Persson e os Gabriel Consort Players

dirigidos por Paul McCreesh

 

 

 

   3. No Sábado 26 de Novembro, na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, estreia Quem tem medo de Virgínia Woolf ?, uma peça de Edward Albee numa encenação Ana Luísa Guimarães, com interpretação de Maria João Luís, Romeu Costa, Sandra Faleiro e Virgílio Castelo.

   Como diz o programa : “Quem tem medo de Virginia Woolf? pode ser outra forma de dizer, como Albee, quem tem medo do lobo mau ou quem tem medo de uma vida sem ilusões. Obra-prima da  dramaturgia contemporânea, trata-se de uma peça que nos leva até à sala-de-estar de um dos casais mais memoráveis da dramaturgia contemporânea – George e Martha -, numa noite de revelações, de jogos perigosos e de mútuas agressões.

   “O inferno pode ser uma sala-de-estar confortável e um casal insatisfeito”, diz Albee sobre este texto aterrador e comovente, onde as personagens se vão revelando à medida que se descobre a mentira e a ilusão que envolvem as suas vidas conjugais.  

 

 

 

   4. Também no Sábado 26 de Novembro, às 21h no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, na sequência da digressão «Instrumental» em que se apresentou com uma formação mais reduzida, Rodrigo Leão vem apresentar esse novo trabalho recém-gravado, diferente dos terrenos visitados com o Cinema Ensemble. Será a oportunidade de apreciar o que tudo aponta ser um caminho novo, nascido da célula essencial dos teclados de Rodrigo Leão e do acompanhamento de cordas, acordeão ou guitarra.

   Acompanham-no Celina Piedade acordeão / Xilofone, Viviena Tupikova  violino / Sintetizador, Bruno Silva violino e Carlos Tony Gomes  .

  

 

 

 

   5. Prossegue até Dezembro a Mostra Espanha 2011 de que referimos no Pentacórdio anterior o encontro Poetas Ibéricos Hoje  e de que hoje anotaremos outros eventos.

   Lembramos assim que foi inaugurada a 15 de Novembro na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga a mostra Cuerpos de Dolor. A Imagem do Sagrado na Escultura Espanhola (1500-1750) que constitui uma escolhida amostra das importantes colecções do Museo Nacional de Escultura (Valhadolid, Espanha), conhecido como o “Prado da Escultura”. (permanece até 15 de Março de 2012)

   Pela primeira vez, Portugal tem o privilégio de acolher mais de três dezenas de esculturas de grandes mestres espanhóis – desde o declinar da Idade Média ao ocaso do Período Barroco –, como Berruguete, Juan de Juni, Pompeo Leoni, Gregorio Fernández, Alonso Cano, Pedro de Mena, Pedro de Sierra ou Salzillo. Trata-se (como diz António Filipe Pimentel, director do MNAA) de “…um período angular do processo histórico e cultural dos países ibéricos … onde a presença central da religião na vida social gerava uma apetência insaciável pela materialização corpórea do fenómeno devocional  a que a cultura do Barroco…imprimiria uma tonalidade exuberante e teatral … (V)ibra muito especialmente nesta escultura espanhola uma erudição de cânone e modelação que bebe directamente na lição renascentista e no convívio fácil com as fontes itálicas…”

 

 

 

 

Cordas sobresselentes

 

 

 

No campo da música erudita

 

 

   A 21 de Novembro, às 16h na Sala dos Espelhos do Palácio Foz  e associado à Conferência “A Belle Epoque no Brasil” há um Recital de Canto, Flauta e Piano onde actuarão Luiza Sawaya, canto, Nuno Ivo Cruz, flauta e Francisca Aquino, piano.

 

   A 25 de Novembro, às 21h no Grande Auditório do CCB os 3 Pianos voltam a reunir-se para um concerto em Lisboa. Mário Laginha, Pedro Burmester e Bernardo Sassetti  juntam-se, assim, de novo para recriar o ambiente da sua tournée brasileira (ver Pentacórdio anterior de 14 a 20 de Novembro).

 

   A 25 de Novembro, às 16h no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, o Coro Gulbenkian dirigido pelo maestro Jorge Matta, acompanhado ao piano por Nicholas Macnair cria o espectáculo Vem Cantar Canções Natal.

   Depois do enorme sucesso, na passada temporada, dos concertos «Vem Cantar Jazz com o Coro Gulbenkian», convida-se de novo o público a cantar com os artistas, desta vez algumas das mais inspiradas canções natalícias tradicionais portuguesas, em harmonizações de Sampayo Ribeiro, Jorge Croner de Vasconcelos, Fernando Lopes-Graça, Christopher Bochmann e Eurico Carrapatoso.

 

   A 25 de Novembro, às 18h no Museu de São Roque a cravista Jenny Silvestre num concerto comentado Tempos de um Tempo tocará sonatas de António Soler e a Toccata K 141 de Domenico Scarlatti.

 

   A 26 de Novembro, também em São Roque (na Igreja), às 21h30 a Orquestra Sinfónica Juvenil e o Coro do Instituto Gregoriano de Lisboa (dir. Christopher Bochmann) cantará Responsórios vários de João de Sousa Carvalho, tendo como solistas Sandra Medeiros  soprano, Laryssa Savechenko  contralto, João Queirós  tenor e Armando Possante  barítono.

 

   A 26 de Novembro, às 21h no Teatro Nacional de São Carlos há novo Concerto Sinfónico de homenagem a Liszt e Brahms, onde a Orquestra Sinfónica Portuguesa sob a direcção musical de Johannes Stert e tendo ao piano Hong Xu executará um programa contendo de Johann Sebastian Bach/Ottorino Respighi  Passacaglia, em Dó menor, BWV 582, de Franz Liszt  Concerto n.º 1 para piano e orquestra, em Mi bemol Maior Malédiction, S. 121 e de Johannes Brahms  Sinfonia n.º 3 em Fá Maior, op. 90.

 

   A 27 de Novembro, às 17h no Átrio da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian, por ocasião da exposição A Perspectiva das Coisas. A Natureza Morta na Europa tem lugar o 1º dos Concertos de Domingo  sobre A Transformação e a Reinvenção dos Sons : A Música após 1840 (de entrada livre).

   Este chama-se O Trio Moderno – Os Sentidos Abertos e aborda as tendências fundamentais do século XX através de obras de Bela Bartók, Alban Berg, Claude Debussy, Francis Poulenc e outros, para o trio moderno clarinete – violino – piano. Serão executantes Etienne Lamaison clarinete, Xuan Du violino e Ana Telles piano.

 

   Também na Fundação Gulbenkian a 27 de Novembro mas no Grande Auditório às 19h no Ciclo de Música de Câmara actua o Quarteto Hagen composto por Lukas Hagen violino, Rainer Schmidt violino, Veronika Hagen viola e Clemens Hagen violoncelo.

   Na interpretação dos Ùltimos Quartetos de Ludwig van Beethoven ouvir-se-ão :

                         Quarteto para Cordas nº 13, op. 130

                         Grande Fuga, op. 133

                         Quarteto para Cordas nº 14, op. 131

    Quanto ao Quarteto para Cordas op. 131, trata-se de uma obra de fim de vida, na qual o compositor ousou ir além de tudo quanto tinha criado até então. A obra que o antecede, o Quarteto op. 130, era originalmente finalizada por uma fuga que, mais tarde, Beethoven autonomizou, criando a Grande Fuga op. 133. Foi a propósito desta peça monumental, que Stravinsky declarou: «É uma peça absolutamente contemporânea que assim permanecerá para sempre».

 

O Quarteto Hagen toca aqui o 4º andamento de outro quarteto de Beethoven, o op.135

 

 

    Ainda a 27 de Novembro, às 17h na Igreja de São Roque, o Coro da Fundação Conservatório Regional de Gaia e a Filarmonia de Gaia (dir. Mário Mateus) interpretarão de Johannes  Brahms Ein Deutsches Requiem, sendo solistas Elsa Teixeira soprano e António Salgado barítono.

 

   Durante toda a semana a Orquestra Metropolitana (O.M.) prossegue uma intensa actividade de proselitismo musical benévolo, actuando :

 

   Às 19h de 24 de Novembro no Corte Inglês através de Solistas da O.M. (Franz Dörsam fagote, Ana Pereira violino, Elena Komissarova violino, Gerardo Gramajo viola, Ana Cláudia Serrão violoncelo e Vladimir Kouznetsov contrabaixo) tocando de Georg Abraham Schneider  Quarteto para Fagote, Violino, Viola e Violoncelo, Op. 43, de Antonín Reicha  Variações para fagote e Quarteto de Cordas e de Jean Françaix Divertimento.

 

   Às 13h de 25 de Novembro nos Paços do Concelho pelo Quarteto de Violinos  da Metropolitana (Liviu Scripcaru violino, Eldar Nagiev violino, Daniela Radu violino e  José Teixeira violino) interpretando  Carl Gottlieb Reissiger  Abertura da ópera O moinho dos rochedos, Thomas Morley  It was a lover his lasse, Charles Dancla  Variações sobre o tema de Mozart : Ah! Vous dirai-je, maman, Op. 161, Witold Lutosławski  Four Silesian Melodies, AnónimoCarnaval de Veneza e  Joseph HaydnRondo all’Ongarese, do trio com piano em Sol maior, Hob. XV:25.

 

   Solistas da O.M. actuarão ainda no Teatro da Trindade (às 18h30 de Quinta 24/11), na Casa Fernando Pessoa (às 18h30 de Sexta 25/11), na Sociedade Portuguesa de Autores (às 18h30 de Sexta 25/11), no Liceu Camões (às 19h de Sexta 25/11), no Palácio Nacional da Ajuda (às 16h de Sábado 26/11), no Museu Nacional de Arte Antiga (às 16h de Sábado 26/11) e no Museu do Oriente (às 17h de Sábado 26/11).

(Ver pormenor da programação em  http://www.metropolitana.pt/Novembro-2011-1555.aspx )

 

 

 

Outra música

 

 

   Às 22h30 de Segunda 21 de Novembro sobe ao palco do Casino de Lisboa a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade no âmbito do ciclo de Concertos Arena Live, para interpretar, entre outras, as composições do seu novo álbum, “Studio 105” (entrada livre).

   Editado, recentemente, o trabalho discográfico engloba mais de uma dezena de temas, como são os casos de “Kenha ki ben ki ta bai”, “Tchápu na Bandera”, “Dimokránsa”, “Seu”, “Stória, Stória”, “Dispidida”, “La Javanaise”, “Odjus fitchádu”, “Tunuka”, “Michelle”, “Lapidu na Bo”.

 

 

 

 

   A 22 de Novembro, no São Luiz, Teatro Municipal às 21h e integrado na Mostra Espanha 2011, o espectáculo Ida / Volta sobre a música espanhola pós-contemporânea traz até nós José Luis Greco, um dos compositores mais notáveis do actual panorama da música culta de Espanha, músico de jazz e rock, bailarino e actor.

   Do programa constam : No Regrets – sonata para violino e piano 20’ (estreia absoluta), A tientas – para violoncelo e piano 15’ (estreia absoluta) e Queen of Hearts – para clarinete, violino, violoncelo e piano. Para o interpretar conta com a brilhante jovem violinista espanhola Leticia Moreno e ainda Adolfo Gutiérrez Arenas, violoncelo, Sacha Rattle, clarinete e de Zeynep Oszuka, piano.

 

Para apreciar a qualidade musical de José Luis Greco, eis um trecho interpretado por Yulia Iglinova e Ilona Timchenko

 

 

 

   A 22 de Novembro, às 22h30 no MusicBox apresenta-se uma figura original da cultura pop  norte-americana R.Stevie Moore, precedido do lançamento do disco de estreia d’Os Passos em Volta.

 

   A 22 de Novembro, às 21h noTMN ao Vivo, a banda de punk rock melódico No Use For a Name  (Tony Sly voz e guitarra, Dave Nassie guitarra, Matt Riddle baixo e voz e Rory Koff bateria) actua com base no seu  9º disco de originais com o nome “The Feel Good Record of the Year”(2008) .

 

   A 23 de Novembro, às 23h na Galeria Zé dos Bois, precedido pelo seu “cúmplice estético”  Gary War, actua uma das estrelas do pós-punk John Maus, autor do aclamado CD “We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves”. Filósofo e académico por profissão e músico por vocação, John Maus é tão complexo quanto a sua música o não é. Cada canção funciona como um descodificador de pensamentos e teorias elaboradas sobre rebelião, linguagem, solidão, desejo ou assexualidade.

 

O vídeo musical de Streetlight do conhecido CD de John Maus We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves

 

 

 

   De 25 a 27 de Novembro, a partir das 17h30 no São Luiz Teatro Municipal, há de novo o Festival Lisboa Mistura,  um espaço de debate e de celebração que surgiu em 2005, fruto da necessidade de criação de um fórum intercultural na cidade de Lisboa. O programa dos diversos dias é pautado pela celebração da vida multicultural nacional, com projectos de grande nível performativo e de produção,  como Fado Morse, Cacique 97 e Lisnave e artistas vários como Hamid El Kasri ou Azzedine Berhilia  (ambos de Marrocos), ou os Irmãos Makossa (Paolo e Nelson). 

   (consulte aqui a programação integral : http://www.teatrosaoluiz.pt/fotos/editor2/lxmistura_programa_web.pdf )

 

   A 25 de Novembro, às 21h Sérgio Godinho vem ao Coliseu dos Recreios apresentar o seu mais recente álbum Mútuo Consentimento (2011).

 

 

 

   A 25 de Novembro, às 0h00 no MusicBox , os Nigga Poison, referência do hip hop português, apresentam o seu novo disco Simplicidadi.

 

   A 25 de Novembro, às 23h30 no TMN ao Vivo, os pioneiros do dub/dance  Zion Train (Perch  live mixing, Dubdadda  voz, Dave Hake trompete  e Richard Doswell saxofone tenor) divulgam em primeira mão o seu novo álbum State of Mind (Setembro 2011).

 

 

No campo do teatro e da dança

 

 

 

   Desde 20 a 28 de Novembro, no palco da Sala Principal do Teatro Maria Matos às 21h30, a Karnart apresenta, dentro do conceito de Perfinst (performance/instalação) que defende, o Convento, desenvolvido a partir de pesquisas focadas no convento franciscano em ruínas de N.ª Sr.ª do Desterro, situado na Serra da Foia, Monchique, onde habita uma família comum constituída por uma mãe idosa, dois filhos, uma nora e dois netos.
   A investigação de O Convento centrou-se em quatro vertentes: o passado histórico /patrimonial do convento; o ponto de vista antropológico/sociológico da família que habita nas suas ruínas; a envolvente arbórea, da qual fazem parte, entre outras,  a mais antiga magnólia da Europa e um imponente conjunto de sobreiros centenários; e questões ambientais e ecológicas relacionadas com este micro-cosmos.

   O objecto performativo/plástico desenvolvido a partir desta pesquisa apresenta em palco estruturas cenográficas construídas a partir de resíduos encontrados nas imediações do convento, desafia o espectador a experienciar cheiros, sabores e texturas e a descobrir imagens projectadas em suportes inesperados.

   O conceito, direcção e instalação são de Luís Castro, a interpretação de Bibi Perestrelo, Filomena Cautela e André Amálio e a assistência dramatúrgica de Claudia Galhós.

 

   A 21 e 22 de Novembro, às 21h30 no Teatro Turim  a Companhia Mole&erre representa a peça A Culpa é do Mordomo (todas as 2ªs e 3ªs até 27 de Dezembro).

 

   A 22 e 23 de Novembro, às 21h30 no Pequeno Auditório da Culturgest  desenvolve-se a performance de Rita Natálio Não se vê que sou eu mas é um Retrato, integrado no Festival Temps d’Images, tendo como artista convidada Luciana Fina. Os performers são Cláudio da Silva, Carla Bolito e Nuno Lucas, também co-autores em escrita colectiva com Rita Natálio.

Trata-se de uma ficção teatral e plástica a partir de encontros com portugueses entre os 9 e os 90 anos sobre as suas vidas e a suas noções de comunidade. A base fornecida por este conjunto de entrevistas é alterada, expandida e conectada por um trabalho de escrita de ficção e de encenação. “Perguntamo-nos o que aconteceria se mais de trinta pessoas que não se conhecem à partida, ficassem presas numa sala e tivessem apenas uma hora para gerir as suas diferenças e encontrar forma dali saírem?”

 

 

   De 24 a 26 de Novembro, às 21h30 no Grande Auditório da mesma Culturgest, exibe-se Tristeza e Alegria na Vida das Girafas, com texto e encenação de Tiago Rodrigues e interpretação de Carla Galvão, Miguel Borges, Pedro Gil e Tónan Quito.

   É a história duma menina de 9 anos (de quem nunca se sabe o nome, demasiado alta para a sua idade e a quem “a mulher que era a sua mãe” chamava “girafa”) que atravessa a cidade de Lisboa em busca da única pessoa que pode ajudá-la: o primeiro ministro Pedro Passos Coelho. Criança que apresenta um trabalho escolar e empreende a tarefa enciclopédica de tentar explicar o mundo, mas desse estranho mundo chamado Lisboa fazem parte a crise económica, a aventura heróica de um urso de peluche com tendências suicidas chamado Judy Garland, o Discovery Channel, uma violinista que já é só uma fotografia, um pantera negra, o dicionário escolar da editorial Sampaio, o cientista búlgaro ou dramaturgo russo Anton Tchekhov.

 

   A 26 de Novembro, às 19h na Sala de Ensaio do CCB, numa direcção e concepção da bailarina Sara Anjo Ninguém Sabia Contar Aquela História fala das “histórias que habitam o corpo feminino, histórias de memórias e desmemórias, de encontros e desencontros, de conquistas e perdas, de vivências extraordinárias e “ordinárias”… histórias, que não se contam. Sentem-se!”

   A interpretação é de Catarina Câmara, Sara Serrão, Sophie Leso e Sylvia Mirey que partilham a criação do espectáculo com Sara Anjo e Margarida Mestre.

 

   A 27 de Novembro, às 15h a Companhia Teatral do Chiado apresenta no Teatro-Estúdio Mário Viegas (todos os Domingos até 25/12) a peça de Ricardo Bargão Grimm, com interpretação de Cláudio Henriques, Márcio de Oliveira e participação especial de Raquel Lito, Raquel Mello e Ricardo Bargão.

   Descreve o programa : “No Inverno de 1810, numa noite escura de Natal, uma das rodas da carruagem parte-se numa estrada sinuosa na Saxónia e  (os passageiros) são obrigados a passar a noite ao relento. No meio da sugestão criada pelas sombras que a lua provoca nas árvores e alguns barulhos de animais, vão-se desenrolando as histórias que encantariam gerações atrás de gerações á mistura com as suas próprias vivências e experiencias”.

 

 

 

No campo das conferências e debates

 

 

 

   A 21 de Novembro, às 18h no Aud.2 da Fundação Calouste Gulbenkian inicia-se o ciclo de conferências ”A Presença em Perspectiva: A Natureza-Morta na Modernidade” (associado à exposição sobre a “Natureza Morta na Europa. 1840-1955”) com a palestra A Lente e o Lápis – Contaminações entre a Pintura e a Fotografia por Margarida Medeiros (UNL).

   É seu propósito : “Procurando os elementos estruturantes duma nova cultura visual que se instaura com a fotografia, centrada na visão proporcionada pela máquina e pelo seu dispositivo automático, mostrar-se-á não apenas como a fotografia se pretende insinuar, frequentemente na vizinhança com a pintura (em termos de géneros e de texturas, de temas e de formas), mas também como esta última recebe e absorve códigos da fotografia, sem que se possa estabelecer uma causalidade linear ou uma relação de simples repetição em qualquer dos sentidos”.   

 

 

   A 22 de Novembro, às 16h no Aud.3 da Fundação Gulbenkian tem lugar o think tank “Creating a water secure world”, moderado pelo Prof. Nunes Correia, onde participam o

Prof. Benedito Braga  de Engenharia Civil e Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (vice – presidente do Conselho Mundial da Água), Dr. Mohamed Ait Kadi, presidente do Conselho Geral de Agricultura e Desenvolvimento de Marrocos e do Comité Técnico Consultivo da Global Water Partnership e Dr. Peter Gleick, presidente do Pacific Institute (California, EUA).

   (A entrada é livre e apela-se a um debate generalizado sobre novas soluções para um problema que pode vir a tornar-se determinante para o futuro da humanidade)

 

 

   A 22 de Novembro, às 18h no Museu do Oriente, o conferencista Harumitsu Hanya falará sobre Bonecos Karakuri de que é um mestre artesão.

   Segundo o programa: “Se bem que as noções técnicas que estiveram na base deste processo (de desenvolvimento tecnológico) provenham do intercâmbio cultural verificado no período Muromachi, com a presença de portugueses, espanhóis e chineses, o primeiro desenvolvimento importante da engenharia mecânica do Japão remonta ao período Edo de que os” bonecos karakuri” foram o expoente máximo da sua alta tecnologia. O legado da sua técnica de construção foi difícil de manter de mestre para aprendiz, já que exigia não apenas conhecimentos mas também uma grande perícia técnica”.

 

   A 23 de Novembro, às 17h prossegue no Laboratório Chimico do Museu Nacional de História Natural e Ciência (à Politécnica) o ciclo de Palestras “Recreações Químicas” onde o prof. António Manuel Nunes dos Santos (UNL/CIUHCT) falará sobre A Sinfonia da Síntese: A Vitamina B12.

 

 

   A 23 de Novembro, às 18h no Auditório 2 da Fundação Gulbenkian as “Grandes Conferências” trazem a Portugal Adam Michnik, historiador, ensaísta e figura histórica da oposição ao regime comunista na Polónia, actual editor-chefe da Gazeta Wyborcza que virá falar sobre  As Relações entre a União Europeia e a Rússia.

 

   A 23 de Novembro, às 18h30 na Biblioteca-Museu República e Resistência (à Cidade Universitária) no âmbito das comemorações do Centenário da República, a prof.ª Fátima Pinto falará sobre As Bibliotecas Populares na 1ª República, moderada por Natividade Monteiro.

 

 

   De 23 a 25 de Novembro, no Aud.2 da Fundação Gulbenkian decorre o “Congresso Internacional Sobre Arquitectura e Cultura do Século XVIII” sob o título Books with a view, Celebrando o nascimento do arquitecto e engenheiro militar Eugénio dos Santos (1711-1760).

   Dizem os organizadores : Em 2011 cumprem-se trezentos anos sobre o nascimento de Eugénio dos Santos (18.03.1711-25.08.1760), arquitecto e engenheiro que, entre outros projectos, foi o responsável pelo plano de reconstrução da cidade de Lisboa depois do Terramoto de 1 de Novembro de 1755. A formação artística e técnica, a produção arquitectónica, as opções estéticas e algumas escolhas de títulos da sua biblioteca particular revelam uma figura de transição entre dois momentos significativos da cultura portuguesa. Infelizmente, Eugénio dos Santos não deixou o suporte teórico da sua obra arquitectónica. Assim, para aceder aos fundamentos que a sustentam, torna-se inevitável uma aproximação contextual. Por isso, pretendemos celebrar esta efeméride convocando contributos sobre as mais diversas representações culturais europeias, que reverteram, directa ou indirectamente, para a teoria e prática artísticas do século XVIII, em geral, e para aquelas que prevaleceram no âmbito nacional, em particular”.    

(para o programa em pormenor ver

http://www.fcsh.unl.pt/eventos/documentos/programapt.pdf  )

 

    A 24 de Novembro, às 17h na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (sala 4.2.07) nas “Conferências de História e Filosofia das Ciências”  Zibgnief Kotowicz (pos-doc CFCUL) dissertará sobre  Egas Moniz e a Leucotomia na História da PsiquiatriaAdiada devido à greve

 

   De 24 a 26 de Novembro, na sede do Institut Français de Portugal, o IFL (Instituto de Filosofia da Linguagem, Universidade Nova de Lisboa), em colaboração com o Institut Français du Portugal, organiza os Encontros de Estética que reunem  especialistas, portugueses e estrangeiros, de arte contemporânea, para debater um tema preciso : “Que arte contemporânea ?“. Será o primeiro Encontro de uma série que terá lugar, regularmente, todos os anos, à volta de matérias que interessam toda a comunidade artística, convidada a participar largamente nos debates.

   Para pormenor ver:

http://encontrosdeestetica.files.wordpress.com/2011/11/programa_final_1.pdf

 

 

 

No campo do cinema

 

 

   Lembramos apenas que,  na Cinemateca Portuguesa, a terceira edição da dupla das “Histórias do Cinema” é “Marias / Buñuel”. Recordamos que se trata de uma rubrica explicitamente concebida e anunciada como um binómio: de um lado, um investigador de cinema; de outro, um autor ou um tema histórico abordado pelo primeiro, ao longo de cinco tardes e em torno de cinco filmes (ou em cinco sessões, com número variável de obras projectadas). Neste caso, o programa escolhido por Miguel Marias propõe sete fi lmes de Buñuel, realizados entre 1929 e 1977, neles incluídas as suas primeira e última obra.

   Economista de formação, Miguel Marias exerce crítica de cinema desde 1966, foi entre 1986 e 1988 director da Filmoteca Española e, nos dois anos seguintes, director geral do Instituto de Cinema Espanhol. Desde há alguns anos prepara Outro Buñuel e um livro sobre Otto Preminger.

   Os filmes por ele escolhidos são :

 

1. UN CHIEN ANDALOU de Luis Buñuel, Salvador Dali com Simone Mareuil, Pierre Batcheff – França, 1929

2. EL de Luis Buñuel com Arturo de Córdova, Delia Garcés, Luís Beristain – México, 1951

                                   (Seg. 21, 18h sala Luís de Pina)

3. LAS HURDES Terra sem Pão de Luis Buñuel Espanha, 1933

4. LOS OLVIDADOS de Luis Buñuel com Alfonso Mejía, Roberto Cobo, Miguel Incán, Stela Inda – México, 1951

                                   (Ter. 22, 18h sala Luís de Pina)

5. LAS AVENTURAS DE ROBINSON CRUSOE As Aventuras de Robinson Crusoe  de Luis Buñuelcom Dan O’Herlihy, Jaime Fernández – Estados Unidos, México, 1952

                                   (Qua. 23, 18h sala Luís de Pina)

6. EL ANGEL EXTERMINADOR de Luis Buñuel com Claudio Brook, Enrique Rambal, Jacqueline Andere, Silvia Pinal – México, Espanha, 1962

                                   (Qui. 24, 18h sala Luís de Pina)

7. CET OBSCUR OBJET DU DÉSIR Este Obscuro Objecto do Desejo de Luis Buñuel com Fernando Rey, Carole Bouquet, Angela Molina, Julien Bertheau, Milena Vukotic  – França, Espanha, 1977

                                   (Sex. 25, 18h sala Luís de Pina)

 

 

 

 

Caros leitores, para a semana falaremos mais de novos filmes e exposições que merecem ser vistas. Até lá !

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