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MORREU LUIZ FRANCISCO REBELLO

Luiz Francisco Rebello morreu ontem, ao fim da tarde, no Hospital Particular de Lisboa, onde desde Setembro passado estivera internado por diversas vezes. Dramaturgo, ensaísta e historiador do teatro, jurista especializado na área dos Direitos de Autor, o desaparecimento de Luiz Francisco Rebelllo signiiifica uma dura perda para a cultura portuguesa.

 

Nasceu em Lisboa a 10 de Setembro de 1924 e era viúvo da actriz Mariana Villar,. Licenciado-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.  Em 1946, fundou e dirigiu, com Gino Saviotti, o Teatro-Estúdio do Salitre e, em 1971, foi nomeado director do Teatro São Luiz,  demitindo-se no ano seguinte devido às ingerências da Comissão de Censura.

 

Foi vice-presidente da Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores e em 1992 fundou, juntamente com José Saramago, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel da Fonseca e Armindo Magalhães, a Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). 

A sua primeira peça teatral, Fábula em Um Acto, saiu a público em 1947, , publicando depois  O Dia Seguinte (1953), Condenados à Vida (1963) e É Urgente o Amor(1958), entre outras. O realizador Artur Ramos adaptou ao cinema a sua peça Pássaro com Asas Cortadas, filme estreado em 1963.

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Da sua obra ensaística, destacam-se Teatro Moderno. Caminhos e Figuras (1957), Imagens do Teatro Contemporâneo (1961), História do Teatro Português (1968), O Primitivo Teatro Português (1977) e 100 anos de Teatro Português (1984).

 

Como historiador, publicou, entre outras obras, Teatro Português, do Romantismo aos Nossos Dias (1960), D. João da Câmara e os Caminhos do Teatro Português (1962), História do Teatro Português (1968), O Teatro Simbolista e Modernista (1979), O Teatro Romântico em Portugal (1980), Portugal, Anos Quarenta (1983), Teatro I , Teatro II e Teatro de Intervenção (colectâneas de peças de dramaturgos portugueses). Escreveu em diversos jornais e revistas, entre os quais a Colóquio/Letras, da Fundação Gulbenkian, o Jornal de Letras, a Seara Nova e a Vértice, e dirigiu, a partir de 1971, um Dicionário do Teatro Português publicado em fascículos.

 

É também de sua autoria o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos (1998), obra de referência com diversas edições.

Foi distinguido com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1985), as insígnias de Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito de França (1991) e a Ordem de Mérito, atribuída em 1995 pelo então Presidente da República, Mário Soares, e recebeu igualmente o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores (1994).

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