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Os Chineses, e nós, e nós e nós – por Isabelle Talès

O senhor Liu, a senhora Yu, o senhor Gao sorriem. E isso não é suficiente. O senhor .Liu, a senhora Yu, o senhor Gaosorriem, novamente. E isso explica nada, não nos diz nada. Eles sorriem sempre. E isto acaba por inquietar. . Porque estas pessoas foram seleccionados para ilustrar o tema “quando os chineses compram a França”, difundido pela cadeia de televisão France 2 na quinta-feira, dia 9 de Fevereiro. Eles são suspeitos. Culpados mesmode alegadas deslocalizações, do défice da balança comercial, de concorrência desleal… Na sua apresentação, BenoîtDuquesnenemsempre utilizou pinças (baguetes?) . Se o deputado pelo (PS) , Arnaud Montebourg, denuncia as empresas utilizando “escravos”, “pilhando as nossas marcas” e aproveitando-se de um “sistema sem lei”, o senador (UMP) Jean-Pierre Raffarin descreve “um povo muito emocional, muito romântico, como nós”, com quem “nós até nos conseguimos entender com as mãos”.

 

X Vejamos então. É verdade, a senhora Yu, veio para comprar florestas no Nièvre por conta de uma Agência governamental chinesa, faz grandes gestos que parecem já estar a arrumar bocados de madeira. Romântico? Isso está por verificar. Os Chineses têm dinheiro, querem-no gastar sem estar a fazerem contas, explica-nosela.” “Por exemplo, na GaleriesLafayette, nós compramos quase como se tudo fosse gratuito.” A vigiar, esta senhoraYu. Antes que na suapróxima passagem por Paris venha ela disposta a querer comprar as próprias Galerias Lafayete.

 

 … O senhor Liu é o novo patrão da antiga fábrica McCormick de Saint-Dizier (Haute-Marne). Todas as manhãs, ele aperta as mãos aos 190 trabalhadores que o fabricante chinês de tractores Yto salvou o emprego. Os repórteres da France 2 fizeram a viagem de ida e volta entrea fábrica francesa tornada muito grande pelos sucessivos planos sociais anteriores e sua nova casa mãe chinesa, um gigantesco site monitorado por uma estátua gigante de Mao. Na China, o chefe do grupo prevê as suasfuturas conquistas sobre o planisfério a partir do seu escritório-“isto não significa que se tome ou se roube ” – enquanto que em Saint –Dizier o senhor . Liu enfrenta diversas reivindicações salariais assim como prometenovas contratações. No bar PMU, Raymond, o delegado daCFDT, eos seus colegas acotovelam-se para nos dizerem : “nós estamos felizes por tê-los aqui, os chineses”, enquanto os seus colegas longínquos, cinco vezes menos bem pagos a 8.000 quilómetros de distância, jogam às cadeiras musicais na cantina…

 

Em Saint-Dizier, os implantes parecem estar atomar forma : ao seu patrão que vai regressar dentro de alguns dias para festejar o Novo Ano Chinês, Raymond promete que o ano do Dragão « vai cuspir fogo » .

 

Resta o caso do senhor Gao. Será que ele teve mesmo mão leve sobre o nosso foiegras nacional? É o que ele pensa. O foiegrasque sai das imundas gaiolas de patos, e das prisões de gansos monitorados por guardas em farda militar pode fazer mal nos palácios de Xangai, mas não faz mal nenhum às papilas Made in France. O senhor. Gao? Sem moral.

 

 Isabelle Talès ,Les Chinois et nous et nous et nous, Le Monde, Le Monde, 12 de Fevereiro de 2012

 

 

E em nota para recomeçar a próxima série, uma pergunta: poderemos estar impressionados pela China mas quem de entre nós deseja para aí ir viver ou sonha em querer esse modo devida se venha a implantar-se aqui ? Umaperguntaassim vos deixo. (JMM)

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