Das várias visitas ao País Basco sempre privilegiámos as principais cidades e, já que estamos sempre com pressa, as «autopistas» e as «autovías», aqui sempre com pagamento, o que não deixa de constituir uma diferença com as restantes autonomias de Espanha.
Desta vez, com prévio acordo familiar, resolvemos evitar, sempre que possível, as melhores estradas e privilegiando as pequenas localidades, com uma
incursão à parte francesa do País Basco, nomeadamente a Biarritz e a St-Jean-e-Luz, belas cidades turísticas, mas sem a beleza de outras terras ao longo da costa do País Basco em Espanha –quase 200 km de uma estrada maravilhosa, com belas enseadas e baías, que se opõem às belíssimas
serras arborizadas- e de outras mais interiores, como no Parque Natural de Aizkorri-Aratz, percorrendo cerca de 9 km de uma estrada de montanha que vai de Oñati (Guipúzcoa) até ao Santuário de Arantzazu, por baixo do Pico de Aitzgorri.
Numa das incursões pelo interior do país, chegámos por fim a Gernika, a cidade que sempre pretendemos visitar, o que implicava desvio das auto-estradas e que, sobretudo por isso, ia ficando para uma próxima oportunidade.
O bombardeamento dos nazis, pela Legião Condor, iniciado às 16H45 de 26 de Abril de 1937, tornou Gernika universalmente célebre, celebridade
reforçada depois pelo quadro de Pablo Picasso, hoje exposto no Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid.
O quadro de Picasso, em cores branco, preto e várias tonalidades de cinza, mostra bem o que terá sido o desespero da população de Gernika.
Gernika era uma pequena cidade basca sem qualquer valor estratégico. Em menos de 3 horas, a aviação alemã nazi, ao serviço da causa franquista, matou 25% da população, 1,6 mil habitantes e destruiu a cidade, tornando-se no primeiro objectivo civil e no primeiro banho de sangue de uma população indefesa, reunida para as suas habituais compras em dia de feira, prelúdio do que viriam a ser os bombardeamentos de grandes cidades na II Guerra Mundial. (1)
(Continua)
