Damos sequência às reflexões deste diário sobre a mansidão da reacção popular às medidas de austeridade impostas por este executivo que acaba de comemorar o primeiro aniversário da vitória eleitoral. E fazêmo-lo com notícias de ontem O El País ocupou-se ontem dos efeitos da crise em Portugal, concluindo o articulista Antonio Jiménez Barca, que os «ajustamentos financeiros» estão a desgastar o governo de coligação PSD-CDS, aumentando o apoio aos partidos que se opuseram ao resgate financeiro – o Bloco de Esquerda e o PCP, que sobem nas sondagens, enquanto o PSD desce. O jornal espanhol refere ainda que Passos Coelho “não se cansa de seguir as ordens da troika, e o próprio acrescenta que essas ordens coincidem com as suas ideias politicas.” Jiménez Barca sublinha a passividade dos portugueses ante os cortes nos salários e subsídios, e às medidas de austeridade que já duram há mais de um ano.
O New York Times comenta, ontem também e em primeira página, a brandura portuguesa perante a crise, contrastando com a insurreição grega. E o diário nova-iorquino recapitula os pontos negros da crise portuguesa – contracção da economia em 3% , 14,9% de desemprego e mais de 30% de jovens sem acesso ao primeiro emprego. Conclui, citando um trabalhador português – “como éramos pobres antes da crise, não faz agora tanta diferença ”.
Internamente, destacam-se as desassombradas declarações de D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, que compara Passos Coelho a Salazar e se confessa “profundamente chocado” com o agradecimento que o primeiro-ministro faz à “paciência dos portugueses” no discurso de comemoração da vitória do PSD nas eleições legislativas. «Parecia-me que estava a ouvir o discurso de uma certa pessoa há cinquentas ano atrás».
Perante este desplante, D. Januário Torgal Ferreira disse ter ficado com vontade de pedir ao povo para sair à rua. Na realidade, o chefe deste lamentável executivo, já nos chamou piegas e mandriões. Agora chama-nos cobardes.
E forçando as comparações com Salazar, até usa a mesma expressão usada, há oitenta anos – promete «meter a casa em ordem». Os salazaristas usaram a mesma metáfora doméstica – «arrumar a casa».
Uma explicação diferente para o que nos está a acontecer (para o que nos acontece desde há muito tempo) é a que circula pela net sob a forma de um «chiste» sobre a sabedoria dos clássicos – o texto, em castelhano, diz:
“O vocábulo mestre deriva de magister e este, por sua vez, do adjectivo magis que significa mais ou mais que. Poderíamos definir magister como o que se destaca ou está acima dos demais pelos seus conhecimentos e competências.
Por exemplo, Magister equitum (Comandante de cavalaria na Roma Antiga) ou Magister militum (Chefe militar).
O vocábulo ministro deriva do inglês ministery e este, por seu turno vez, do adjectivo minus que significa menos ou menos que. O minister era o criado ou o subordinado com poucos conhecimentos e competências.
Ora bem – o latim explica-nos por que motivo qualquer imbecil pode ser ministro, embora não possa ser Mestre.
Pode a explicação etimológica ser de algum modo duvidosa – mas tem graça… e em muitos casos, está certa.

