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“A Vida dos Sons”: deseja-se menos cinzenta e mais multicolor (III) – por Álvaro José Ferreira

2ª parte 

 

4. Falecimento do músico norte-americano Jimi Hendrix; o seu estilo experimental e heterodoxo de tocar a guitarra eléctrica, usando efeitos especiais como o “feedback” e a distorção, revolucionou o uso do instrumento no rock; radicado em Londres, a partir de 1966, formou com baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell o grupo Jimi Hendrix Experience, no seio do qual gravou alguns dos seus maiores ‘hits’, como como “Hey Joe”no Festival de Woodstock, 1969,

 

 

  “Purple Haze”ao vivo no Royal Albert Hall e “The Wind Cries, Mary” no Festival de Monterrey, 1967; o tema “Voodoo Chile”, inserto no álbum “Electric Ladyland” (1968), é considerado um dos espécimes mais esplendorosos da sua produção.  

 

 

 

 

 

 

Jimi Hendrix morreu no auge da fama, aparentemente sufocado por vómitos resultantes de uma dose exagerada de soporíferos;

 

 

5. Falecimento da cantora norte-americana Janis Joplin; de espírito rebelde e insubmisso, era dona de uma voz extraordinariamente expressiva e enérgica com que reinventou os blues para a nova linguagem rock; o abuso do álcool e das drogas causou-lhe a morte aos 27 anos de idade; editado postumamente, o álbum “Pearl” (1971) alcançaria retumbante sucesso, especialmente pelos temas “Cry Baby” ao vivo em Toronto  e “Me & Bobby McGee”  e Mercedes Benz;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6. Atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao escritor russo Aleksandr Soljenityne; duas vezes condecorado por feitos militares na II Guerra Mundial, a crítica ao regime de Estaline fê-lo cair em desgraça; condenado a oito anos de trabalhos forçados, é deportado para a Sibéria, em 1945, vindo a ser reabilitado em 1957, já sob o consulado de Nikita Krushchev; essa dura e sofrida experiência estará na base dos livros “Um Dia na Vida de Ivan Desinovitch” (1962), “O Primeiro Círculo” (1968) e “O Pavilhão dos Cancerosos” (1968) que lhe valem o reconhecimento da Academia de Estocolmo; na sequência publicação do primeiro volume da obra “O Arquipélago de Gulag” no Ocidente (1973-1974), é-lhe retirada a cidadania russa e expulso da União Soviética; radica-se nos Estados Unidos da América, acabando por regressar à Rússia duas décadas mais tarde; 

  

 

7. Estreia do filme “L’Enfant Sauvage” (“O Menino Selvagem”), de François Truffaut; baseado no caso verídico de uma criança que tendo sido abandonada numa floresta aí viveu, fora do contacto humano, até aos doze anos de idade, o filme tem o grande mérito de mostrar o quão indelevelmente marcante é para o ser humano o meio em que decorrem os primeiros anos de vida

 

 

 8. Edição do álbum “Amália-Vinicius”, de Amália Rodrigues com Vinicius de Moraes e outros amigos; gravado na casa de Amália, à rua de São Bento, na noite de 19 de Dezembro de 1968, no disco participam, além de Vinicius de Morais e dos músicos José Fontes Rocha (guitarra portuguesa) e Pedro Leal (viola), os poetas Ary dos Santos, Natália Correia e David Mourão-Ferreira; entre fados e poemas recitados, são dezanove os espécimes que integram o álbum (originalmente um duplo LP), cujo alinhamento abre, muito sugestivamente, com o “Retrato de Amália”, de e por Ary dos Santos.

 

(Continua dentro de 15 minutos)

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