Análises sobre a crise, olhares sobre a Europa, olhares sobre o crime que contra esta os seus dirigentes estão a cometer
Por Júlio Marques Mota
A crise aí está e está para durar, com a diferença de que pela força dos defensores das medidas de austeridade já tomadas e das muitas outras de que eles se sentirão obrigados a tomar, dado o caminho escolhido, a situação política vai endurecer e muito.
A Espanha está em perfeita ruptura, Portugal já se rompeu e corre o risco de não ter concerto durante mais de uma década, a Itália é o país que se segue, e o resto está na fila de espera possivelmente até que os homens do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha em Karlsruhe decidam apreciar todas as queixas apresentadas contra o MEE, críticas de direita e de esquerda, também.
Entretanto as políticas seguidas já fizeram estragos aterradores e tão aterradores que desde há longos meses que falamos de crime contra a humanidade, contra a Europa, contra o sentido da História.
O Tribunal Penal Internacional considera como crime: «un crime contre l’humanité est une violation délibérée et ignominieuse des droits fondamentaux d’un individu ou d’un groupe d’individus, inspirée par des motifs politiques, philosophiques, raciaux ou religieux ». É chegada a altura de considerar levar os nossos dirigentes políticos nacionais, os nossos dirigentes europeus, todos eles, e a Troika também, ao Tribunal e exigir o julgamento destes dirigentes face a toda a Europa, face a todas a suas vitimas, passadas, presentes e, também face às suas vítimas que só aparecerão no futuro e sabemo-lo bem que estas vão ser muitas, por aquilo que os americanos chamam o custo de nada fazer ou, neste caso, de fazer muito mal, tão mal que só se entende que seja por maldade deliberada. O número de pobres deve diminuir para que a máquina ganhe outra embalagem, é o que eles pensam eles e se o pensam, melhor o estão a fazer! E nesta lógica absurda vejam-se as políticas de austeridade impostas e confrontem-se com as remunerações globais diárias de cada elemento da Troika. A austeridade para uns, para muitos, o direito à violação dos direitos dos outros, é a concessão para alguns.
Em termos da crise que se abate pela Europa iniciamos uma nova série de publicações, com textos de análise, com textos de reportagem, sobre esta Europa martirizada, a que damos o título de Análises sobre a crise, olhares sobre a Europa, olhares sobre o crime que contra esta os seus dirigentes estão a cometer. A força dos textos é tal que dispensam comentários e começaremos por um texto de Edward Hugh sobre Portugal onde sem margem para dúvidas se mostra que se está a destruir a prazo o nosso país, realidade a que ele chama, dado o nosso consentimento, de suicídio colectivo.
