por Rui Oliveira
“Avis Rara é um título que de certa forma traduz o conteúdo deste trabalho, não só pela estranheza de sons e arranjos que ele contém, como pela originalidade e irreverência na abordagem do já tão explorado filão da Música Tradicional Portuguesa”, explica Carlos Guerreiro, responsável no conjunto por voz, bombos, timbalão, pratos, chamariz, bloco, shlagabell, sanfona, sanfononcello, clarinete. Os outros são José Manuel David Gaita (voz, trompa, gaita transmontana, gaita galega em dó, small pipe em ré, ponteiro de small pipe em lá, tarota, dulçaina, kissange, xeque-xeque), Paulo Marinho (transmontana, gaita galega em ré, gaita galega em dó, sevina, gaita swayne em sol, ponteiro smallpipe em lá, tarota, kanarion), Pedro Calado (timbalão, caixa, pandeireta, prato, jogo de sinos, tubarões, flautões, túbaros d’Orfeu, guimbarda), Pedro Casaes (voz, bombos, tambor de cordas, xeque-xeque, chamariz) e Rui Vaz (voz, bombos, timbalão, caixa, pandeireta, crótalos, pratos, chamariz, bloco), confirmando que “ uma das marcas da identidade dos Gaiteiros e dessa abertura a um universo de possibilidades passa pela invenção de instrumentos, uma das receitas para o seu som original”.
São convidados especiais neste concerto Ana Bacalhau (“Deolinda”), Sérgio Godinho e Zeca Medeiros.
Ouçam o (actualíssimo) “Avejão” do CD Avis Rara :
As sopranos Sandra Medeiros (foto) e Ângela Alves, a meio-soprano Suzana Teixeira, o tenor João Cipriano Martins e o baixo Bruno Pereira sob a direcção musical de João Paulo Santos (piano) abordarão um extenso rol de canções de óperas dos seguintes autores dessa época, estreadas nos teatros indicados :
Luciano Xavier dos Santos das óperas “Palmira di Tebe” (1781, Palácio de Queluz), “Ercole sul Tago” (1785, Palácio de Queluz) e “Esione” (1784, Palácio da Ajuda)
Jerónimo Francisco de Lima das óperas “La Vera Costanza” (1785, Teatro de Salvaterra), “Teseo” (1783, Palácio de Queluz) e “Enea in Tracia” (1781, Palácio da Ajuda)
João de Sousa Carvalho das óperas “Testoride Argonauta” (1780, Teatro da Ajuda) e “Penelope nella Partenza da Sparta” (1782, Palácio da Ajuda)
João Cordeiro da Silva da ópera “Lindane e Dalmiro” (1789, Teatro da Ajuda)
Domenico Cimarosa da ópera “Giannina e Bernardone” (1791, Teatro da Rua dos Condes)
Giovanni Paisiello da ópera “Il Barbiere di Siviglia” (1791, Teatro da Rua dos Condes)
António Leal Moreira das óperas “Gli Eroi Spartani” (1788, Paço da Ribeira), “Il Natale Augusto” (1793, Palácio de Anselmo José da Cruz Sobral) e “Artemisia, Regina di Caria” (1787, Palácio da Ajuda)
Não havendo registo destes cantores em obras da época, conheça-se a ária “Misera me!… Ah cangiar non può d’affetto” da ópera “Gli Eroi Spartani” de António Leal Moreira (constante do programa) :
Nome grande do free jazz europeu, − diz o programa – “dono do timbre mais reconhecível do período pós-Ayler, Brötzmann nunca parou, não vai parar nunca. Dos primeiros álbuns (todos essenciais “For Adolphe Sax”, “Machine Gun” e “Nipples”) às gravações mais recentes (“Sketches & Ballads”, o último dos Full Blast, é barulho valente…), Brötzmann lança o caos, sopra o grito atravessado em grandes nervosismos incestuosos. Entre a técnica e algo maior que a técnica circula atonalidade feita tensão constante …”.
Eis um registo (de qualidade mediana) da sua presença no Cheltenham Jazz Festival (2008) :
“ Foi com este nome que ficou na nossa História a noite de 19 de Outubro de 1921 quando um bando de facínoras assassinou, entre outros, António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia, prestigiadas figuras da República.
Para assinalar essa data e nos esclarecer sobre o “mistério” que continua a envolver esses crimes, estará presente Berta Maia (interpretada por Sónia Barradas), viúva de Carlos da Maia que conseguiu arrancar e publicar a confissão dos mandantes dos crimes da boca de Abel Olimpio, o “dente d’ouro”, marinheiro que chefiava o bando que enlutou Portugal. Chamámos também Erasmo (personificado por Sérgio Moras), o intelectual Renascentista defensor da aprendizagem através da multividência e do ensino laico em todos os seus graus, além de ter sido o autor da obra-prima “Elogio da Loucura“. E a polémica estará acesa com Bismarck (representado por João D’Avila), o conservador e autoritário militar prussiano que destruíu a Comuna de Paris e que é considerado o antepassado do regime ditatorial do Terceiro Reich, chefiado por Hitler”.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui )


