O governo está solidamente ancorado no parlamento a uma maioria que conquistou o poder graças à crise política cavada à sombra dos PECS de José Sócrates, versão preliminar da política de austeridade com que nos subjugam, a mando da santa troika que invocam a cada passo. As manifestações de rua bastante intensas que se têm sucedido, declarações de personagens que supostamente seriam favoráveis às políticas de austeridade, mas que se manifestaram em sentido contrário, e a própria comunicação social, que tem estado mais atenta à gravidade dos problemas que têm sido suscitados pela irresponsabilidade de Passos Coelho & Companhia, dizem claramente que a popularidade (se se pode chamar popularidade ao medo e à insegurança causados pela crise financeira) destes últimos está bastante por baixo. Os chefes da coligação claro que não manifestam interesse em eleições, mas, curiosamente, a liderança do partido socialista também não.
É importante ter presente que estamos perante uma crise prevista (e há quem defenda que preparada) há bastante tempo, e uma crise que na realidade é uma tentativa de impor uma alteração a princípios que tem sido aceites como fundamentais, como os da superioridade da democracia, da solidariedade e da maximização equitativa do bem-estar. A procura da paz, a ultrapassagem das desigualdades, a defesa dos direitos das minorias, vão ser postas em causa pelos princípios que supostamente norteiam esta tentativa, a produtividade, a globalização, a competitividade, para justificar o que se pretende, o retorno a uma situação de privilégios seguros para algumas minorias. Minorias com enorme poder de decisão, e ainda maior poder sobre as classes trabalhadoras.
É por isso que é importante manter este grande movimento na sociedade portuguesa, a todos os níveis. A das classes trabalhadoras, dos pensionistas, reformados e aposentados, dos vários grupos profissionais, dos deficientes, dos pequenos e médios empresários (olhem para a restauração!), dos desempregados. E alargar a dimensão internacional dos protestos. Por isso é importante estar na máxima força para o dia 14 de Novembro. Para continuar depois.
A Senhora Merkel, esta semana, inaugurou em Berlim o que será o primeiro memorial ao Holocausto dos ciganos na II Guerra Mundial (na realidade tinha começado vários anos antes). É mais uma questão que continua. Só peca por tardio o reconhecimento oficial desse holocausto, que aconteceu em 1982, por Helmut Schmidt, segundo nos recorda o Público de quinta-feira passada. Tardio e insuficiente. A situação dos ciganos é mais uma que tem de se encarar, nesta época de recessão e recuo civilizacional.


