RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção, tradução e nota de introdução por Júlio Marques Mota

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Nota de leitura a  este texto, um retrato sobre a Holanda

Mais um retrato, desta vez da Holanda, dessa espécie de paraíso fiscal , desse país defensor da penalização dos países  do Sul. Pelo que aqui  se insinua teremos também na Holanda um processo semelhante ao da Grécia,  quanto ao aumento de importância da extrema-direita, a  Aurora Dourada de um lado, na Grécia, o partido da Liberdade, liderado pelo político anti-Islâmico   Geert Wilders, na Holanda.  Como de costume, Bruxelas entre a Social-Democracia  e o fascismo não hesita em apoiar o segundo. O caminho das políticas de austeridade terão pois também  essa função, a função de fazer ascender a extrema-direita ao poder e assim acabar a obra de destruição do Estado Providência, no espaço comunitário. Todos os dados têm estado a apontar nesse sentido, por absurdo que isto possa parecer.

Júlio Marques Mota

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A economia holandesa está em piores condições do que se pensava

Gilbert Kreijger, Reuters, Amesterdão, 10 Dezembro de 2012

A economia holandesa está em piores condições do que se se pensava, declarou o Banco Central do país, na segunda-feira, prevendo que a partir de agora a economia holandesa irá entrar em recessão já  no próximo ano.

O défice orçamental   também vai exceder o limite dos  3 por cento imposto na União Europeia em 2013, de acordo com a mesma fonte.

Ambas as previsões representam um desafio para o primeiro-ministro Mark Rutte do novo governo recém-eleito, que está a impor quase 30 mil milhões de euros em medidas de austeridade já anteriormente acordadas e neste ano.

O banco disse  no seu relatório semestral Perspectivas económicas que se espera  que o défice  deverá cair para 3,5 por cento do produto interno bruto no próximo ano quando se espera seja de  4,1 por cento este ano. Isto representa, na verdade,  um aumento face às previsões anteriores  de um défice de  2,9 por cento. .

Da mesma forma, a sua previsão para o crescimento económico em 2013  passou agora para  (-0,6)  por cento quando o valor anteriormente esperado era de (+0,6 ) por cento.

O crescimento deverá continuar em 2014, com uma expansão de 1 por cento, dizem,  embora novamente este valor representa um corte na previsão que era anteriormente de 1,2 por cento.

A Holanda é a quinta maior  economia da zona  euro. Embora seja pois  parte do núcleo mais importante da zona euro, a Holanda está a  sofrer  uma  descida   nos preços das casas, uma redução na construção civil,  uma queda na despesa dos  consumidores e nos investimentos, das medidas de austeridade do governo, de uma baixa nas  exportações  e com a crise da zona euro .

A Holanda contraiu 1,1 por cento no terceiro trimestre em comparação com o período  precedente, pior do que as economias de Espanha, Portugal e de  Itália, nesse período, é o que nos dizem os dados  os dados do Eurostat  enquanto o desemprego subiu para a taxa mais alta desde há  15 anos.

O governo de coligação liberal-trabalhista caiu em popularidade desde que anunciou um pacote de austeridade de 16 mil milhões de euros em Outubro.

Isso levou a uma subida de popularidade nas sondagens de opinião pública  para o Partido da Liberdade, o partido anti-establishment, liderado pelo político anti-Islâmico  Geert Wilders, e também  para o partido de extrema-esquerda socialista.

O banco central disse que a crise da dívida da zona euro continuou a ser uma grande ameaça para a Holanda.

“A crise da dívida europeia está longe de ser resolvido e ainda continua a levantar maiores riscos de contracção económica nas perspectivas económicas do Banco Central”,acrescentaram.

A agência de notação  Moody’s  alertou para a hipótese de baixar a notação Triplo A de que usufrui actualmente a Holanda , a Alemanha e o Luxemburgo  devido à crise da dívida. Referenciaram ainda as fracas perspectivas económicas, e o elevado valor de divídas em hipotecas.

O banco central estima que o  preço das casas venha a ser mais de 21 por cento menor em 2014 em comparação com o pico em 2008. Os preços das casas já caíram mais de 16 por cento desde o momento desse pico.

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