Aníbal Faustino
1912 – 1985
Nasceu em Bucelas a 21 de Março de 1912 e faleceu na Póvoa de Santa Iria a 11 de Agosto de 1985. Filho de José Faustino e de Balbina Faustino. Profissão: Serralheiro. Com apenas a instrução primária feita depois de adulto, o gosto pelo teatro e pela poesia foram notáveis desde muito jovem. Publica os seus primeiros poemas em 1931. Poeta popular de enorme talento, deixou um espólio fazendo lembrar os “cantadores de rua”. Em 1976 publica “Poemas de um Candidato” e em 1987 “Poetas D’Aqui”, edição do Grémio Dramático Povoense, reeditado após o seu falecimento com apontamento biográfico de Fernando Augusto. Faz parte dos “Poetas da Póvoa” I e II volume, edição Dom Martinho, Associação para a Defesa e valorização do Património da Póvoa de Santa Iria, fiel depositária das suas obras, doadas por Agripina Rei Moreira. O que caracteriza a poesia de Aníbal Faustino é o tom irónico, um tanto moralista, vincadamente popular, com graça expontânea, variando os temas e os motivos, por vezes impiedoso até consigo próprio, mas sobretudo preocupado com os bons exemplos. Tendo o teatro no coração, no palco era talentoso, sabendo dizer à sua maneira os poemas que escrevia.
Fazer versos como eu faço
Não há ninguém que não faça
Agito, misturo, traço
Banalidades sem graça
Uns são falhos de piléria
Outros falhos de engenho
São retratos da miséria
Do talento que não tenho
Numa análise concreta
Ao meu precário talento
Vi que para ser Poeta
Me faltava cem por cento
Meus versos, ainda por cima
Não têm miolo, nem casca
Para arranjar uma rima
Às vezes vejo-me à “rasca”
Como actor amador, declamou, representou e ensaiou peças de teatro no Grémio Dramático Povoense e noutras localidades vizinhas, uma entrega plena de talento, entusiasmo e paixão, aliada à sua natural modéstia, galvanizando todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer. De trato afável, sabia cultivar a amizade. Proposto pela Comissão de toponímia e aprovado pela Assembleia de Freguesia em 21 de Fevereiro de 1992, a Praceta Aníbal Faustino confluí com a Av. Ernest Solvay.
Grande poeta é o povo!…
Dum lirismo consagrado
Pró jantar só tem um ovo
Mas que importa?
Tem a bola…
…e tem o fado

