Site icon A Viagem dos Argonautas

MORREU PAPINIANO CARLOS

Oscar Niemeyer, Joaquim Benite, Papiniano Carlos… Jornada negra, esta em que o nosso mundo, o mundo dos que amam a arte, a beleza, o amor pela Humanidade, ficou mais pobre. O escritor Papiniano Carlos, morreu ontem, no Porto, informou, em comunicado, a Direcção da Organização Regional do Norte do Partido Comunista Português. Papiniano Carlos, nasceu em 1918 em Lourenço Marques (Maputo). Com dez anos de idade veio para Portugal, vivendo no Porto em cuja Faculdade de Engenharia se licenciou. Ligado ao movimento neo-realista, foi colaborador da “Seara Nova”, da “Vértice” e do “Jornal de Notícias” e de outras revistas e jornais. Principais obras publicadas: Esboço, (1942); Estrada Nova, (1946); Terra com Sede, (1946 ); Mãe Terra, (1952); Caminhemos Serenos, (1957); Uma Estrela Viaja na Cidade, (1958); A Menina Gotinha de Água (1962).Imagem1

Deixa-nos poemas como este que dá título a um dos seus livros – Caminhemos serenos:

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.

De mãos dadas,

através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,

já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.

Exit mobile version