por Rui Oliveira
Na Sexta-feira 18 de Janeiro escolheríamos para evento de destaque a vinda ao Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, do mestre tocador de kamanché persa Kayhan Kalhor (foto dir.), acompanhado de Ali Bahrami Fard (foto esq.), tocador de santour baixo, também iraniano.
Esclareça-se que, sendo o kamanché um instrumento de cordas tradicional persa, com uma caixa de ressonância e um braço em que as cordas são postas a vibrar por um arco, Kayhan Kalhor, um dos músicos persas actuais mais criativos e inovadores, neste concerto tocará um instrumento criado por um amigo seu, derivado do kamanché, a que chamaram shah kaman, com cinco cordas independentes e sete que vibram por simpatia.
Kayhan fazia parte do Movimento Verde que concorreu às eleições parlamentares no Irão e que depois foi esmagado, de forma sangrenta, pelo regime. No texto que acompanha o CD, Kayhan escreve: “No início das perturbações que abalaram o meu país, senti-me muito isolado. Vivi um dos momentos mais difíceis da minha vida, quando as trevas e a violência pareciam impor-se. Este retiro forçado deu-me tempo para repensar a música … este álbum é o fruto deste período sombrio. Da composição à partilha com o ouvinte, todo o meu trabalho me permitiu ter consciência de que nunca estaria só – I will not stand alone”.
Ouça-se deste álbum o notável “Where Are You ?” :
Quem ficou interessado pode ouvir a canção-tema do CD em http://youtu.be/FvP179wjwW8 ou uma série das suas músicas anteriores em http://www.youtube.com/watch?v=zU-quGiwep8&feature=share&list=AL94UKMTqg-9DkseEvPfxv80NLGYckKEST
Esclarece o coreógrafo : “ Paisagens Propícias é um espectáculo de dança que vai beber à obra de Ruy Duarte de Carvalho, cujo universo abrange um largo espectro de produção artística e constitui uma abundante fonte de matéria criativa …
… Se por um lado as vivências singulares deste antropólogo angolano são, em si, algo que não pretendemos representar, por outro, constituíram um sólido ponto de partida para a recriação de outros universos ou paisagens; para especulações criativas que vão de encontro ao próprio espírito essencial e constante da sua vida.
As cores e calores da terra que tão bem bebemos da sua obra, remetem-nos para a vida por detrás da paisagem ou do ser que respira dentro dos corpos nutridos pelo labor das colheitas e do gado.”
Ainda na Sexta-feira 18 de Janeiro, agora na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30 e, como habitualmente, de entrada livre, há um Recital de Canto por iniciativa da Embaixada da República da Irlanda em que o agrupamento irlandês “Lumiere” constituído por Pauline Scanlon (voz) e Éilís Kennedy (voz) com o acompanhamento amigável do ex-guitarrista da banda Lúnasa, Donogh Hennessy interpretará obras da música tradicional da Irlanda.
Bó Na Leath Adhairce Uma canção de West Kerry sobre uma vaca com um só corno!
Fair And Tender Ladies Uma canção de amor não correspondido enraizada na tradição irlandesa e subsequentemente na tradição americana
Samhradh Uma canção irlandesa que celebra o verão
The Streets Of Derry Uma canção sobre um homem que foi injustamente condenado por um crime e salvo da prisão pela sua bem-amada
The West’s Awake Um hino escrito por Thomas Davis (1814-1845), associado ao oeste da Irlanda
An Maidrín Rua Uma canção popular para crianças sobre uma raposa que rouba as galinhas e os patos a um camponês
Fíll Fíll A Rún Ó Uma canção de amor de uma mãe para o seu filho
Nead Na Lachan Uma canção jocosa da tradição irlandesa com ênfase nos ritmos e no fraseado
Paddy’s Lamentation Uma canção espirituosa sobre a emigração dos irlandeses para a América e a sua luta na Guerra Civil
Saiba-se que destas duas vocalistas excepcionais de Dingle no Condado de Kerry, Irlanda, Éilís Kennedy actua regularmente no seu condado de Kerry onde é muito procurada pelas suas interpretações naturais e genuínas de temas antigos e novos, cantados em gaélico, o seu idioma nativo, e em inglês; enquanto Pauline Scanlon, uma cantora premiada do mesmo condado de Kerry, tem dois álbuns muito aclamados pela crítica, bem como extensa experiência em tournées. Juntas, na forma de Lumière, fazem já parte de uma tradição de vozes femininas irlandesas, que vão desde Sinead O’Connor a Enya.
Um bom registo dum tema tipicamente irlandês foi aqui gravado com Éilís Kennedy em 2010 :
Quem as queira continuar a ouvir em Fíll Fíll A Rún Ó ou The West’s Awake, ambas canções do programa, procure-as aqui : http://youtu.be/hNyR4kdaUOw ou http://youtu.be/8FNzYk8lEvI ou
Antes desta apresentação, Bernardo Devlin sobe ao palco onde, após o seu último “Sic Transit” (reputado um dos melhores discos no ano transacto), irá apresentar material de “Chroma Key”, trabalho ainda inédito, composto à voz e electrónica. Uma rara oportunidade de os ver ao vivo e num contexto considerado perfeito » (do programa da ZDB)
Uma gravação (de qualidade relativa) registou actuações anteriores em 2010 na mesma ZDB :
Com Selma Uamusse voz, estarão Daniel Lima teclados, Gonçalo Santos bateria, Augusto Macedo baixo, Nuno Reis trompete, Dan Hewson piano e trombone e Marisa Gulli percussões.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)


