Pentacórdio para Sexta 18 de Janeiro

por Rui Oliveira

 

   Na Sexta-feira 18 de Janeiro escolheríamos para evento de destaque a vinda ao Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, do mestre tocador de kamanché persa Kayhan Kalhor (foto dir.), acompanhado de Ali Bahrami Fard (foto esq.), tocador de santour baixo, também iraniano.

Kayhan+Kalhor+KK1_byToddRosenberg   Os dois artistas gravaram juntos um CD intitulado I will not stand alone (2011) e é sobre este álbum que assenta o concerto dessa noite.

   Esclareça-se que, sendo o kamanché um instrumento de cordas tradicional persa, com uma caixa de ressonância e um braço em que as cordas são postas a vibrar por um arco, Kayhan Kalhor, um dos músicos persas actuais mais criativos e inovadores, neste concerto tocará um instrumento criado por um amigo seu, derivado do kamanché, a que chamaram shah kaman, com cinco cordas independentes e sete que vibram por simpatia.

Ali Bahrami Fard   Quanto ao santour baixo, ele é uma variante moderna do instrumento tradicional santour, também um instrumento tradicional de cordas, neste caso montadas numa estrutura de madeira, vibrando por percussão.

   Kayhan fazia parte do Movimento Verde que concorreu às eleições parlamentares no Irão e que depois foi esmagado, de forma sangrenta, pelo regime. No texto que acompanha o CD, Kayhan escreve: “No início das perturbações que abalaram o meu país, senti-me muito isolado. Vivi um dos momentos mais difíceis da minha vida, quando as trevas e a violência pareciam impor-se. Este retiro forçado deu-me tempo para repensar a música … este álbum é o fruto deste período sombrio. Da composição à partilha com o ouvinte, todo o meu trabalho me permitiu ter consciência de que nunca estaria só – I will not stand alone”.

   Ouça-se deste álbum o notável “Where Are You ?” :

 

   Quem ficou interessado pode ouvir a canção-tema do CD em http://youtu.be/FvP179wjwW8 ou uma série das suas músicas anteriores em http://www.youtube.com/watch?v=zU-quGiwep8&feature=share&list=AL94UKMTqg-9DkseEvPfxv80NLGYckKEST  

 

 

 

paisagenspropicias   Também na Sexta-feira 18 de Janeiro tem início no Teatro Camões, às 21h (prolongando-se até Domingo 20, às 16h) o espectáculo de dança “Paisagens Propícias” pela Companhia de Dança Contemporânea de Angola com direcção artística de Ana Clara Guerra Marques.

paisagens propícias 0   Tem coreografia de Rui Lopes Graça, música original de João Lucas e figurinos e cenografia de Nuno Guimarães.

   Esclarece o coreógrafo : “ Paisagens Propícias é um espectáculo de dança que vai beber à obra de Ruy Duarte de Carvalho, cujo universo abrange um largo espectro de produção artística e constitui uma abundante fonte de matéria criativa …

   … Se por um lado as vivências singulares deste antropólogo angolano são, em si, algo que não pretendemos representar, por outro, constituíram um sólido ponto de partida para a recriação de outros universos ou paisagens; para especulações criativas que vão de encontro ao próprio espírito essencial e constante da sua vida.

As cores e calores da terra que tão bem bebemos da sua obra, remetem-nos para a vida por detrás da paisagem ou do ser que respira dentro dos corpos nutridos pelo labor das colheitas e do gado.”

 

 

 

   Ainda na Sexta-feira 18 de Janeiro, agora na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30 e, como habitualmente, de entrada livre, há um Recital de Canto por iniciativa da Embaixada da República da Irlanda em que o agrupamento irlandês “Lumiere” constituído por Pauline Scanlon (voz) e Éilís Kennedy (voz) com o acompanhamento amigável do ex-guitarrista da banda Lúnasa, Donogh Hennessy interpretará obras da música tradicional da Irlanda.

lumiere_small   Ouvir-se-ão assim neste programa :

   Bó Na Leath Adhairce  Uma canção de West Kerry sobre uma vaca com um só corno!

   Fair And Tender Ladies Uma canção de amor não correspondido enraizada na tradição irlandesa e subsequentemente na tradição americana

   Samhradh  Uma canção irlandesa que celebra o verão

   The Streets Of Derry Uma canção sobre um homem que foi injustamente condenado por um crime e salvo da prisão pela sua bem-amada

   The West’s Awake  Um hino escrito por Thomas Davis (1814-1845), associado ao oeste da Irlanda

   An Maidrín Rua  Uma canção popular para crianças sobre uma raposa que rouba as galinhas e os patos a um camponês

   Fíll Fíll A Rún Ó Uma canção de amor de uma mãe para o seu filho

   Nead Na Lachan  Uma canção jocosa da tradição irlandesa com ênfase nos ritmos e no fraseado

   Paddy’s Lamentation  Uma canção espirituosa sobre a emigração dos irlandeses para a América e a sua luta na Guerra Civil

 

   Saiba-se que destas duas vocalistas excepcionais de Dingle no Condado de Kerry, Irlanda, Éilís Kennedy actua regularmente no seu condado de Kerry onde é muito procurada pelas suas interpretações naturais e genuínas de temas antigos e novos, cantados em gaélico, o seu idioma nativo, e em inglês; enquanto Pauline Scanlon, uma cantora premiada do mesmo condado de Kerry, tem dois álbuns muito aclamados pela crítica, bem como extensa experiência em tournées. Juntas, na forma de Lumière, fazem já parte de uma tradição de vozes femininas irlandesas, que vão desde Sinead O’Connor a Enya.

   Um bom registo dum tema tipicamente irlandês foi aqui gravado com Éilís Kennedy em 2010 :

   Quem as queira continuar a ouvir em Fíll Fíll A Rún Ó ou The West’s Awake, ambas canções do programa, procure-as aqui : http://youtu.be/hNyR4kdaUOw  ou  http://youtu.be/8FNzYk8lEvI  ou

 

 

 

david maranha   Continuando em música dita não-erudita, a Galeria Zé dos Bois apresenta às 22h desta Sexta-feira 18 de Janeiro o músico David Maranha (foto) com o seu agrupamento em “Marches of the New World”, precedido no palco por outro “expoente máximo da vanguarda nacional” Bernardo Devlin.

david maranha - marches of the new world   « Sendo nesta noite, “Marches of the New World” o destaque no concerto de Maranha, registe-se que da gravação do álbum notável de 2007 (ed. Grain of Sound), apenas se conta a violoncelista Helena Espvall, enquanto Rui Nogueiro ( baixo), José Miguel Rodrigues ( bateria), Derek Moench (orgão e voz) e o cada vez mais omnipresente, Riccardo Dillon Wanke (orgão), compõem a restante nova banda. Maranha, por sua vez, entregar-se-à às cordas do violino, materializando as cinco peças que compõem o álbum, quase seis anos depois da sua origem.

   Antes desta apresentação, Bernardo Devlin sobe ao palco onde, após o seu último “Sic Transit” (reputado um dos melhores discos no ano transacto), irá apresentar material de “Chroma Key”, trabalho ainda inédito, composto à voz e electrónica. Uma rara oportunidade de os ver ao vivo e num contexto considerado perfeito » (do programa da ZDB)

   Uma gravação (de qualidade relativa) registou actuações anteriores em 2010 na mesma ZDB :

 

 

 

 

Selma Uamusse - Copy   Entretanto no Onda Jazz a cantora Selma Uamusse renova o seu projecto “Tributo a Nina Simone”, onde explora o jazz e as influências da música espiritual e soul. Para tal convidou nesta Sexta-feira 18 de Janeiro, às 22h30, para a acompanhar músicos que considera terem em comum o universo da música Gospel e o gosto pelo jazz e, neste caso, Rita Redshoes, Ana Bacalhau, Elisa Rodrigues e Luisa Sobral.

   Com Selma Uamusse voz, estarão Daniel Lima teclados, Gonçalo Santos bateria, Augusto Macedo  baixo, Nuno Reis trompete, Dan Hewson piano e trombone e Marisa Gulli percussões.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)

 

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply